Desde o dia 20 de agosto, a Netflix no Brasil tem uma nova líder de audiência: Pssica. A minissérie nacional de quatro episódios, filmada no Pará, ultrapassou Wandinha, fenômeno global da plataforma, e conquistou uma aprovação de 80% do público.

Dirigida por Quico Meirelles, com um episódio assinado pelo pai, Fernando Meirelles (indicado ao Oscar por Cidade de Deus), a produção mergulha em um retrato sombrio da Amazônia atlântica.
A narrativa aborda tráfico humano, violência e a “pssica”, maldição que conecta os personagens em destinos trágicos e inescapáveis.
Pssica é uma história real?
Baseada no livro homônimo de Edyr Augusto, escritor e jornalista paraense, a obra nasceu da coleta de relatos e notícias de cidades como Belém, Breves, Faro e Afuá, regiões marcadas por exploração e vulnerabilidade social. “Colecionei notícias de jornais locais durante uns dois anos, porque queria escrever sobre isso. Houve uma inspiração concreta para criar Pssica”, contou o autor.

A trama acompanha Janalice (Domithila Cattete), jovem ribeirinha sequestrada e vítima de exploração sexual, e cruza sua história com outros personagens: Preá (Lucas Galvino), criminoso em ascensão, e Mariangel (Marleyda Soto), movida pela vingança após perder a família.
Entre os destaques, Alberto Silva vive o prefeito Brazão, figura de poder que expõe a corrupção entranhada na região.
Vida e ficção
Embora fictícia, a série se ancora em problemas reais. Segundo o Relatório Nacional sobre Tráfico de Pessoas, a exploração sexual é a segunda principal finalidade do tráfico no Brasil, atrás apenas do trabalho análogo à escravidão. Mulheres e adolescentes são as maiores vítimas.
O relatório aponta que “a exploração sexual também se mostra recorrente em situações de meninas indígenas da Bolívia e Peru, em intersecção com o deslocamento forçado (da Venezuela)”. Sendo que, na região Norte, “a infância feminina indígena é exposta a situações de vulnerabilidade que fundamentam terreno para casos de servidão e de casamento forçado”.
O que significa Pssica?

A palavra “pssica”, de origem indígena no idioma Nheengatu, significa azar, má sorte ou maldição. Muito usada em Belém, foi ressignificada pelo autor como símbolo do destino implacável que persegue seus personagens.
Mais do que um sucesso de streaming, Pssica marca a força da cultura amazônica no audiovisual e abre espaço para novas produções brasileiras em destaque internacional.


