Uma adolescente de 14 anos, diagnosticada com TEA (Transtorno do Espectro Autista) e múltiplas deficiências, teria sido agredida por uma professora durante as aulas no Cedeg/Apae (Centro de Educação Especial Girassol da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), em Campo Grande. A Apae negou qualquer tipo de maus-tratos contra a menor, através de um comunicado encaminhado ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).
A mãe da jovem, Elaine Cristina Silva dos Santos, relatou ao TopMídiaNews que, há cerca de quatro meses, vem notando mudanças no comportamento da filha, que passou a se recusar a ir para a escola e demonstra nervosismo ao chegar na instituição.
“Ela tem dificuldade de fala, quase não é comunicativa. Demorei para conseguir o básico de informação, mas, aos poucos, ela foi me contando que a professora não quer ensinar, vive humilhando minha filha, mandando-a se virar sozinha, mesmo sabendo que ela não sabe ler nem escrever”, detalhou Elaine.
Mesmo após questionar diversas vezes a direção da escola, a mãe afirma que não obteve uma resposta satisfatória. Segundo ela, a diretora teria alegado que a adolescente estaria “inventando” os fatos e “mentindo”. No entanto, Elaine destaca que, devido à condição clínica da filha, ela não teria capacidade cognitiva para criar histórias fantasiosas.
O caso se agravou no dia 22 de agosto, quando a adolescente passou mal e precisou ser buscada na escola. No caminho para casa, contou à mãe que havia levado tapas da professora. “Depois que chegamos, deixei ela se acalmar e perguntei o que tinha acontecido. Ela me mostrou como apanhou e contou que foi porque não queria pegar o lápis”, explicou a mãe.
Diante da situação, Elaine procurou a DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), onde registrou a ocorrência. Durante a escuta especializada na delegacia, a adolescente relatou que já havia levado tapas nas costas, braços e mãos, além de ser constantemente chamada de “chata” pela professora, em sala de aula.
“Ela vem sofrendo agressões físicas e psicológicas, mas a escola não está nem aí. Mandaram eu tirá-la de lá. Mas é um direito da minha filha ter acompanhamento na Apae, ser bem tratada e cuidada, para ter apoio e suporte”, desabafou Elaine.
O caso foi registrado como maus-tratos e está sendo investigado pela Polícia Civil.
Já antecipando qualquer tipo de denúncia feita pela genitora da menor, a Apae encaminhou um relatório informativo ao MPMS detalhando o caso, onde eles negam qualquer forma de maus-tratos. “Apesar dos esforços da equipe, os profissionais ainda se deparam com muitas dificuldades relacionadas aos aspectos de interação socioemocional da aluna no ambiente escolar, especificamente no que diz respeito à sua interação social em sala com colegas e aceitação da rotina pedagógica proposta pela professora regente”, diz parte do texto.
O documento, de 6 páginas, explica ainda que o comportamento da menor é potencializado quando ela ‘ouve um não’, agindo com desinteresse quando é contrariada.
“Recebemos da genitora, mensagens via WhatsApp acusações que relatam situações e fatos que não ocorrem, acusações essas que são inverídicas e que acabam fragilizando o trabalho e intimidando toda equipe”, explica a APAE. “Apesar de todo o acolhimento, planejamento pedagógico, estratégias, combinados, mediações e intervenções quando se fazem necessárias, essas “acusações” vêm se repetindo, geralmente ao término da aula”, detalha outra parte do texto.
O documento mostra ainda que duas reuniões foram feitas, onde ficou acordado que a menor seria acompanhada de outro profissional que iria tentar entender a situação para elaborar um novo plano pedagógico, no entanto, a genitora não teria aguardado o prazo de 15 dias estabelecido, voltando a cobrar melhorias antes do prazo.
“Visto que a genitora perante mensagens de textos enviadas através do WhatsApp institucional da coordenação pedagógica, tenta de todas as formas culpabilizar a professora que atende a aluna, em relação às questões as quais envolvem a filha”, finaliza.


