Mais de um ano após sofrer um grave acidente de trânsito, o pequeno Lucas Morais, hoje com 13 anos, segue na luta pela recuperação. Em junho do ano passado, ele conseguiu realizar a tão esperada cirurgia reparadora no pé, que havia perdido parte do calcanhar. No entanto, pouco tempo depois, sofreu uma trombose na perna e perdeu todo o resultado da cirurgia.
Desde então, a batalha da família ganhou novos contornos. Segundo a mãe, Michelly Morais, Lucas chegou a iniciar um processo de enxertia, mas os procedimentos foram interrompidos com a suspensão das cirurgias eletivas na Santa Casa.
Sem resposta, a família buscou alternativas em outros profissionais e descobriu que o menino precisa agora de uma microcirurgia complexa, que envolve alongamento do tendão, encurtado por conta das complicações. O procedimento deve ser feito por um cirurgião plástico e um ortopedista, e está orçado em R$ 340 mil
Em Campo Grande, apenas dois médicos realizam essa técnica. Sem condições financeiras para custear o tratamento, Michelly recorreu à Defensoria Pública, que no mês passado entrou com um pedido para que o Estado arque com os custos da cirurgia. O caso agora está sendo analisado pela Justiça.
Enquanto aguarda uma decisão, Lucas segue demonstrando força e perseverança. “Ele é atleta, sente falta do movimento. Ter seus movimentos reduzidos o deixa triste, mas ele se supera e resolveu fazer seus exercícios em casa. É… ele é exemplo”, escreveu a mãe, emocionada.
Apesar das dores físicas e das limitações, Michelly relata que o filho mantém a fé e o otimismo. “Recomeçamos a busca pela melhor estratégia e resolver isso. Está entregue nas mãos do Pai, então não vamos nos manter aflitos, vamos aliviar o coração e aguardar o hino da vitória”, afirma.
Relembre o caso
Em janeiro de 2023, Lucas sofreu um grave acidente de moto enquanto estava com o pai. Ele fraturou o fêmur em três partes e perdeu o calcanhar, resultando em 40 dias de internação e oito cirurgias, além de seis transfusões de sangue já na primeira semana.
Lucas usou fixador externo no fêmur por seis meses e chegou a receber alta do ortopedista em dezembro daquele ano. No pé, foi submetido a um enxerto de pele e colocação de pino no calcâneo, mas precisava da cirurgia de retalho para poder pisar normalmente — procedimento que realizou em junho, mas que terminou frustrado pela trombose.
Antes mesmo da complicação, Lucas já demonstrava ansiedade com as dores e limitações no pé. Ele relatava que o calcanhar apresentava escaras de pressão e alterações no formato, podendo comprometer seu crescimento.
“Mesmo que eu faça a reconstrução do pé, não sabemos se poderei praticar esporte e voltar a jogar bola, mas gostaria de pelo menos tentar. E quanto antes eu fizer essa cirurgia, mais provável que eu consiga”, dizia o menino, em março de 2024.
Hoje, Lucas segue com o mesmo sonho: voltar a andar, correr e jogar futebol. A família agora aguarda que a Justiça permita a realização da cirurgia que pode mudar sua vida.


