segunda-feira, abril 27, 2026

Enfermeiros denunciam falta de insumos, assédio e risco à vida de pacientes em Bandeirantes

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“A enfermagem grita por socorro, estamos ficando doentes. É triste ver o descaso que está acontecendo”. Falta e insumos básicos, precariedade, salários baixos, sobrecarga e até alimentação inadequada. Esse é o cenário do Hospital de Bandeirantes, município a 74 quilômetros de Campo Grande. 

Segundo informações de uma fonte que não quis se identificar, por medo de represálias, a situação no hospital está em decadência desde 2021. “É desde a gestão passada. Tentamos ajustes ou negociar, mas não deu certo. No ano passado, recorremos ao Ministério Público e nada resolveu. Estamos com processo contra a prefeitura também para aprovar o nosso piso da enfermagem”. 

A reportagem teve acesso às denúncias encaminhadas ao Coren -MS (Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso do Sul) e é possível perceber que a saúde do município enfrenta uma situação de caos. 

Um dos pontos é a falta de funcionários e acumulo de função sem pagamentos. “Estamos fazendo funções que não são nossas e não somos remunerados. Eles também retiraram o adicional de insalubridade, com descontos abusivos”. 

Conforme a denunciante, há vários profissionais afastados com atestados psiquiátricos, que fazem uso de medicação controlada, devido à sobrecarga e cansaço extremo. “No momento tem quatro pessoas afastadas de atestado psiquiátrico ou tomando medicações para continuar naquele local. Tememos que algum colega possa tirar a própria vida, não sabemos até onde vai o trauma de cada um”. 

Estrutura e segurança

Dois pontos que também foram adicionados na denúncia foi a falta de condições estruturais no hospital. A água utilizada no hospital, dada aos pacientes e funcionários, seria imprópria para o consumo, conforme a fonte.

“Somos obrigados a encher galões em uma torneira externa, onde animais como cachorros também bebem e lambem do mesmo local. A caixa d’água apresenta fezes de pombos, gerando grave risco de contaminação”. Até mesmo a salas de cirurgias são subutilizas, e recém-nascidos dividem espaço com cadáveres. 

“A sala de parto está sendo utilizada no mesmo espaço da esterilização de materiais, o que fere todas as normas de assepsia. De forma ainda mais grave, quando ocorre um óbito, os corpos são mantidos nesse mesmo ambiente até a chegada da Pax, o que é desumano, antiético e contrário a qualquer norma de biossegurança”.

Assim como os enfermeiros e técnicos, até o vigia tem função dupla: a de recepcionista. Entretanto, isso deixa o hospital com portas abertas e a mercê de qualquer tipo de situação. 

“O acesso é livre e sem controle, (…) precisamos de um segurança no local, temos muitas ocorrências por arma branca, tentativa de suicídio e crises psiquiátricas, e diversos profissionais já foram vítimas de ameaças verbais e agressões, sendo chamados de ‘vagabundas’, ‘imbecis’ e outras ofensas”, detalhe o documento enviado ao Coren. 

Falta do básico e alimentação podre

Do básico como luvas até equipamentos e aparelhos, o Hospital de Bandeirantes respira por aparelhos. Conforme o documento, sabonete líquido, clorexidina, hipoclorito de sódio e PVPI, fundamentais para a higiene, desinfecção e prevenção de infecções cruzadas, estão em falta. 

“Faltam, inclusive, luvas em tamanhos adequados, monitores de pacientes de emergência e abocaths infantis n.º 24”. 
As condições de alimentação e repouso também são indignas. Frequentemente, as refeições servidas apresentam gosto ruim ou sinais de estarem azedas, devido ao armazenamento inadequado das marmitas. 
O local de descanso é precário: não há espaço suficiente, e muitos funcionários precisam dormir no chão, expostos a insetos e baratas. 

Repressão

Após as denúncias chegarem até o Ministério Público, funcionários relataram situações de intimidação e retaliação por parte da gestão, com mudanças de horário e local de trabalho, transferências arbitrárias para outros municípios. 

“Há relatos de funcionários que solicitaram e obtiveram autorização para trabalhar em determinado turno, conforme necessidade comprovada, e foram realocados sem justificativa — em clara atitude de perseguição”.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Saúde do município, mas até o fechamento desta matéria não houve retorno. O espaço segue aberto para futuras manifestações. 

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