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"Fica trazendo a filha pretinha": mãe solo denuncia racismo em clínica de Campo Grande

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Uma recepcionista de 31 anos denunciou um caso de injúria racial ocorrido contra a própria filha, de apenas sete anos, dentro de uma clínica hospitalar no bairro Chácara Cachoeira, em Campo Grande. Segundo o boletim de ocorrência, durante uma reunião de trabalho, uma colega teria afirmado que Amanda Ferreira da Silva “levava a filha pretinha porque os patrões davam muito poder a ela”.

Amanda, que é mãe solo, contou ao TopMídiaNews que sempre teve autorização da chefia para levar a filha à empresa, uma vez que não tem com quem deixá-la no período da tarde. A menina possui laudo médico de dislexia e TDAH, faz uso de medicação controlada e acompanhamento médico regular.

O episódio aconteceu no dia 6 de outubro, durante uma reunião na clínica. Um dos médicos presentes chegou a gravar o áudio da conversa, que, segundo Amanda, registra claramente a fala discriminatória.

“Ela disse que meus patrões me dão muito poder, por isso eu fico levando minha filha pretinha para trabalhar comigo. Foi o limite do limite. Não foi só um ataque a mim, foi contra uma criança”, desabafou a recepcionista.

Amanda afirma que trabalha na empresa há três anos e que o clima se deteriorou após a chegada da colega que, segundo ela, “cria histórias e espalha mentiras sobre os funcionários”.

“Ela inventa muitas histórias. Já tem outro processo de uma funcionária que saiu por causa dela. Comigo foi diferente, porque ela quis atingir minha filha. Uma criança de sete anos que não tem culpa de nada”, disse.

A mãe ainda relatou que todos na clínica gostam da menina e que nunca houve reclamações sobre a presença dela no local.

“Meus patrões sempre me autorizaram. Todo mundo ama minha filha, ela é educada, carinhosa. Mas essa mulher começou a espalhar que a menina atrapalhava. Até que, em reunião, soltou esse absurdo”, completou Amanda, emocionada.

O caso foi registrado como injúria racial, com base no artigo 140 do Código Penal, que prevê punição para quem ofende a dignidade ou o decoro de alguém em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional.

Segundo Amanda, o caso foi levado para a DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) e encaminhado para o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). 
 

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