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Obama critica Trump por usar morte de Charlie Kirk: “momento perigoso”

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ex-presidente Barack Obama afirmou nesta terça-feira (16) que os Estados Unidos vivem “um momento perigoso” e acusou Donald Trump de agravar a polarização política após o assassinato de Charlie Kirk, na última semana. As declarações foram feitas durante um evento na Jefferson Educational Society, em Erie, na Pensilvânia.

Obama disse que o país atravessa “um ponto de inflexão”, mas lembrou que a situação não é inédita na história americana. “A violência política é o oposto do que significa ser um país democrático”, afirmou.

O democrata condenou o ataque contra Kirk e também o assassinato da deputada estadual Melissa Hortman, em Minnesota, classificando ambos de tragédias. Ainda criticou a resposta da Casa Branca, que, segundo ele, tentou apontar culpados antes mesmo de identificar os responsáveis. “Há uma confusão em torno disso, e, francamente, ela vem da Casa Branca e de outras posições de autoridade, que sugeriram que, mesmo antes de sabermos quem foi o autor desse ato maligno, de alguma forma iríamos identificar um inimigo”, disse.

Aliados de Trump responsabilizaram a “esquerda radical” por criar um ambiente hostil, enquanto setores progressistas veem na retórica do republicano um pretexto para restringir liberdades. Obama advertiu que esse tipo de reação tende a aprofundar divisões políticas e culturais. “A premissa central do nosso sistema democrático é que precisamos ser capazes de discordar e ter debates, às vezes muito intensos, sem recorrer à violência”, afirmou.

O ex-presidente também comentou a postura de líderes diante de crises passadas, citando sua atuação após o massacre racista em Charleston, em 2015, e a resposta de George W. Bush aos atentados de 11 de setembro. Segundo ele, o papel de um presidente é “lembrar constantemente dos laços que nos unem”.

Ao falar sobre a retórica de Trump e seus aliados, Obama afirmou que chamar opositores de “vermes, inimigos” revela “um problema mais amplo”. Para ele, o impulso de definir um inimigo serve como justificativa para limitar o debate público. “Isso também é um erro”, declarou.

Embora tenha dito acreditar que as ideias de Kirk “estavam erradas”, Obama destacou que isso não muda a gravidade do ocorrido. “O que aconteceu foi uma tragédia, e lamento por ele e por sua família.” Denunciar a violência política, segundo ele, não impede que se discutam de forma franca as propostas defendidas por Kirk. “Esses são temas que precisamos ser capazes de debater honestamente, ao mesmo tempo em que respeitamos o direito de outras pessoas dizerem coisas com as quais discordamos profundamente”, completou.

O democrata também criticou medidas recentes do governo Trump, como o envio da Guarda Nacional a Washington e a checagem de documentos por agentes federais em Los Angeles. “O que vocês estão vendo é a sensação de que, pelo poder executivo, muitos dos limites e normas que eu acreditei que tinha de respeitar como presidente dos Estados Unidos, que George Bush acreditava que tinha de respeitar, de repente já não se aplicam. E isso torna este um momento perigoso”, disse.

A Casa Branca respondeu acusando Obama de ser responsável por inaugurar a divisão política moderna nos EUA. “Obama usou todas as oportunidades para semear divisão e colocar americanos uns contra os outros”, declarou a porta-voz Abigail Jackson.

Após o assassinato de Kirk, líderes políticos de diferentes partidos -incluindo os ex-presidentes Joe Biden e Bush, e o presidente da Câmara, Mike Johnson- pediram a redução da violência política e a retomada de um debate mais civilizado. Obama, em sua fala, destacou exemplos de diálogo respeitoso e elogiou o governador republicano de Utah, Spencer Cox, que, segundo ele, demonstrou ser possível discordar sem abrir mão de um código básico de convivência no espaço público.

Leia Também: Windsor: quatro pessoas são presas por exibirem foto de Trump e Epstein

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