quarta-feira, novembro 4, 2026

Além de legging, posto exigia dancinhas e corpo ‘padrão’, diz advogado

Date:

Share

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Funcionárias de uma rede de postos de combustível no Recife que exigia legging e cropped (blusa curta) como uniforme precisavam fazer vídeos de danças para o TikTok e teriam sido demitidas por não seguir “padrão” corporal, segundo o advogado do sindicato da categoria.

Posto Power, no Recife, exigia que frentistas usassem calça justa e blusa curta. Investigação sobre obrigatoriedade do traje foi feita pelo sindicato após denúncia de ex-funcionária, e a Justiça do Trabalho determinou que a rede pare com a exigência sob pena de multa. Em nota, a empresa disse que fotos são antigas.

Segundo a ex-funcionária, mulheres foram demitidas por não seguir uma “padronagem”. “Era uma maneira indireta de dizer que a pessoa tinha que seguir um padrão estético”, afirma Sérgio Pessoa, advogado Sinpospetro-PE (Sindicato dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo e em Lojas de Conveniência e Lava Jato de Pernambuco).

A mulher procurou o Sinpospetro para se informar sobre falta de pagamento do FGTS. “Ela queria saber quais eram as medidas judiciais cabíveis. Aí a gente foi conversando e ela foi apontando a questão dos uniformes”, conta o advogado.

“Tinha que aprender a fazer dancinha de TikTok”, diz o advogado. Segundo relato da ex-funcionária ao sindicato, diz Pessoa, mulheres “fora do padrão” foram demitidas com a entrada de uma nova gestão.

Existe indício de “body shaming”, diz advogado. Termo se refere a constrangimento praticado contra alguém por causa de seu corpo e aparência. “No decorrer do processo nós vamos apurar melhor essas situações para que o juiz possa decidir sobre o dano causado a elas”, finaliza o advogado.

Juíza ordenou que a rede de postos tem cinco dias para fornecer roupas adequadas, como calças de corte reto e camisas em comprimento padrão. Caso não cumpra a decisão, posto terá de pagar R$ 500 de multa diária a funcionárias. Segundo a Justiça, uniforme sexualizava o corpo feminino e as submetia a situações de constrangimento e assédio.

“O perigo de dano é evidente. A manutenção da exigência do uso do uniforme inadequado prolonga, a cada dia, a situação de constrangimento, vulnerabilidade e potencial assédio a que as trabalhadoras estão submetidas. O dano à sua integridade psíquica e moral é contínuo e de difícil reparação, o que justifica a urgência da medida para fazer cessar a lesão”, disse Ana Isabel Guerra Barbosa Koury, juíza do trabalho, em despacho.

Posto diz que fotos são antigas
Empresa afirmou que fotografia das funcionárias de legging são antigas e não refletem as práticas atuais da empresa nem de seus parceiros.

Em nota, a Petrobahia declarou que cumpre rigorosamente todas as normas e exigências de segurança e saúde no trabalho, mantendo um padrão de fardamento adequado e incentivando seu uso em todas as unidades da rede, inclusive naquelas que não operam sob a bandeira Petrobahia.

Share
Barra Redes Sociais
87,880FansLike

Artigos relacionados

Tiago Botelho defende impeachment de Adriane Lopes: ‘gestão deplorável’ (vídeo)

O deputado estadual eleito Tiago Botelho (PT) defendeu a abertura imediata de um processo de impeachment contra a...

Idoso é encontrado morto dentro de carro parado há 2 dias em posto de combustíveis do Panorama

Um homem de 67 anos foi encontrado morto dentro de um Volkswagen Up estacionado havia cerca de dois...

Issy Quinan forma maioria para presidência da Alego, enquanto grupo dos sete articula candidatura alternativa

O deputado estadual Issy Quinan (MDB) reúne, até o momento, 22 votos para a disputa pela presidência da...

Corpo de adolescente que desapareceu enquanto nadava é encontrado no rio Taquari

O corpo do adolescente Lucas Cícero Alves dos Santos Neto, de 17 anos, foi encontrado na manhã desta...