Resumo
Pré-candidato ao Senado, Reinaldo Azambuja (PL) tenta romper um tabu histórico em Mato Grosso do Sul: há quase 40 anos um ex-governador eleito pelo voto direto não consegue conquistar uma vaga no Senado Federal.
O ex-governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PL), é pré-candidato ao Senado da República nas eleições gerais do próximo ano e pode entrar para a história política do Estado caso seja eleito. Isso porque, desde 1986, nenhum ex-governador sul-mato-grossense eleito democraticamente conseguiu vencer uma disputa para o Senado.
O último a alcançar esse feito foi o advogado Wilson Barbosa Martins, então filiado ao PMDB, que deixou o cargo de governador em maio de 1986 para concorrer ao Senado. Ele foi eleito e exerceu mandato entre março de 1987 e janeiro de 1995. Desde então, o tabu permanece.
Tentativas frustradas de ex-governadores
Após Wilson Martins, outros ex-governadores tentaram, sem sucesso, chegar ao Senado. Em 2002, Pedro Pedrossian (PTB) foi derrotado por Delcídio do Amaral (PT), que acabou eleito para dois mandatos consecutivos, mas teve o mandato cassado em 2016, tornando-se inelegível por 11 anos.
Já em 2018, Zeca do PT teve sua candidatura barrada após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul confirmar condenação por improbidade administrativa. Com a impugnação, foram eleitos Nelsinho Trad (PSD) e Soraya Thronicke, então pelo PSL, impulsionados pelo cenário nacional marcado pela chamada “Onda Bolsonaro”.
Possibilidade de um novo marco político
Caso conquiste a vaga no Senado, Reinaldo Azambuja poderá quebrar não apenas um, mas dois tabus políticos recentes. Em 2022, ele já havia entrado para a história ao eleger seu sucessor, Eduardo Riedel, algo que não ocorria há 32 anos no Estado, tornando-se o primeiro governador reeleito a alcançar esse resultado.
Trajetória política
Natural de Campo Grande, Azambuja iniciou a carreira política como prefeito de Maracaju, cargo para o qual foi eleito em 1996 e reeleito em 2000. Em 2006, tornou-se deputado estadual, alcançando a maior votação da história do Estado até então. Quatro anos depois, foi eleito deputado federal.
Em 2014, venceu a eleição para governador no segundo turno, derrotando Delcídio do Amaral, e foi reeleito em 2018, também no segundo turno, superando o então juiz federal Odilon de Oliveira.
Agora, com a pré-candidatura ao Senado, Reinaldo Azambuja se coloca diante de um novo desafio: romper uma escrita que já dura quase quatro décadas na política sul-mato-grossense.


