sábado, outubro 31, 2026

Cineasta Jafar Panahi diz que vai voltar para o Irã mesmo condenado a prisão

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Depois de terminar a turnê de promoção para o Oscar de seu mais novo filme, “Foi Apenas um Acidente”, Jafar Panahi disse que vai retornar para o Irã, mesmo que uma sentença de prisão esteja à sua espera em seu país natal.

Panahi, que está agora em campanha pelos Estados Unidos com seu filme vencedor da Palma de Ouro em Cannes, foi condenado em dezembro a um ano de prisão por “atividades de propaganda” contra o Irã, numa sentença do Tribunal Revolucionário Islâmico em Teerã, que também proibiu o cineasta de viajar para o país por dois anos.

Em entrevista a Hollywood Reporter, ele afirmou que, assim que terminar seu trabalho nos EUA, retornará para o Irã. “Para mim, não faz diferença o que as pessoas pensam ou entendem sobre a minha decisão. O importante é ser fiel ao que eu sinto. Há muitos outros cineastas que enfrentam os mesmos desafios que eu”, disse o cineasta.

“Ali Ahmadzadeh estava filmando quando seu set foi invadido e seus equipamentos foram levados, e agora ele tem que pagar aluguel diário pelos equipamentos que alugou sem poder usá-los. (Behtash Sanaeeha) e sua esposa, Maryam Moghaddam, fizeram um filme tão bonito, ‘Meu Bolo Favorito’, que foi visto no mundo todo, mas agora estão proibidos de sair do Irã e de trabalhar. Então, todos nós compartilhamos essa dor e todos nós aceitamos o preço por ela.”

“Eu trabalho e ajo de acordo com o que sinto e percebo. O que estou sentindo agora é que conheço o contexto do meu país. Conheço a cultura, o idioma, o cotidiano. Conheço os murmúrios diários daquele país, daquela cultura e daquela sociedade -e é aí que posso trabalhar. Eu apenas sei que tenho essa conexão com o Irã, e é o lugar onde aceitei todos os desafios e todos os preços de ser eu mesmo.”

Em maio deste ano, ele conquistou o prêmio máximo no Festival de Cannes. “Foi Apenas um Acidente”, coprodução entre o Irã e a França, pode concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2026 e disputar o prêmio ao lado do brasileiro “O Agente Secreto”.

Panahi já foi preso duas vezes em 30 anos de carreira. A última foi em 2022, quando foi solto após uma greve de fome. A primeira foi em 2010, ao ser acusado de fazer propaganda contra o regime por apoiar Mir-Hossein Moussavi, reformista opositor à ala religiosa.

Na ocasião, em entrevista à Folha, o cineasta afirmou que o Brasil privilegiava as relações econômicas com o Irã em detrimento dos direitos humanos. “São os governos que julgam o que é mais importante: as violações de direitos humanos ou suas possíveis oportunidades econômicas. O Brasil pesou este lado, colocou as duas variáveis na balança e julgou que valeria a pena pelo lado econômico”, disse.

“O Agente Secreto” é o longa escolhido pelo Brasil para tentar uma indicação ao Oscar de melhor filme internacional na premiação deste ano

Folhapress | 18:00 – 07/01/2026

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