Família enfrenta burocracia na emissão de laudo médico para tentativa de transferência do paciente para outro hospital
Um idoso de 61 anos está internado há nove dias na Santa Casa de Campo Grande aguardando um procedimento de curativo após ter o pé perfurado por um prego. O paciente tem neuropatia diabética e vem enfrentando exaustão devido aos jejuns para cirurgias, que vêm sendo canceladas desde o dia 11 de janeiro.
A filha Thayane Maykelly Santos da Silva, cozinheira de 33 anos, relata a frustração ao tentar registrar reclamações no hospital e viabilizar a transferência do pai diante da situação caótica enfrentada pela família.
“Ele segue aguardando a raspagem no pé direito. Ele já não sente a parte frontal do pé. Estou tentando a transferência para outro hospital que realize o procedimento, mas a guia necessária só pode ser emitida pelo médico, que não faz a avaliação dele”, afirma.
Thayane reclama de um verdadeiro “jogo de empurra” para a emissão do documento que sinaliza a transferência. “O médico diz que é com a assistente social, a assistente social diz que é com o SAC, e o SAC afirma que é responsabilidade do médico. Já abri três reclamações no SAC, sem retorno dentro do prazo. Há dias meu pai está sem acompanhamento médico adequado; os médicos passam apenas para dar alta a outros pacientes e dizem não ser responsáveis pelo caso dele”, relata.
“Hoje, mesmo sendo um caso cirúrgico e com a prescrição vencida, o médico apenas receitou remédio para dor e suspendeu o antibiótico, sem avaliá-lo ou examinar a ferida. Registrei uma reclamação por omissão de socorro”, completa.
A reportagem entrou em contato com a Santa Casa sobre o caso e aguarda retorno.
Atraso de procedimentos
Médicos da Santa Casa estão trabalhando com atraso de seis competências salariais, o que impacta a prestação de serviços. Há mais de 6 meses, o hospital alega crise financeira para arcar com pagamentos e compra de insumos.


