segunda-feira, abril 27, 2026

Paciente epilética denuncia despreparo e hematomas após atendimento em unidade de saúde

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A moradora de Campo Grande, Célia das Graças de Oliveira, de 47 anos, passou por uma situação traumática dentro de uma unidade básica de saúde da Capital, após sofrer uma convulsão enquanto aguardava atendimento.

Segundo ela, além da demora no serviço, houve despreparo por parte dos profissionais durante o episódio, o que teria resultado em diversos hematomas pelo seu corpo.

Célia contou ao TopMídiaNews que tudo começou após procurar atendimento na UPA do Santa Mônica, na madrugada de terça-feira (20), por volta das 3h30. Ela estava gripada há alguns dias, com a garganta bastante inflamada. Após passar pelo médico, recebeu uma receita com antibiótico e outros medicamentos, mas não conseguiu iniciar o tratamento. “Depois da meia-noite não tem farmácia aberta nos postos. A gente sai só com a receita na mão e vai embora”, relatou.

Na manhã seguinte, por volta das 7h, ela foi até a unidade de saúde do Aero Itália, na região do Jardim Aeroporto, para retirar os medicamentos e também pegar a chamada “chave” de atendimento, necessária para uma consulta com neurologista marcada para aquela tarde na Santa Casa.

Sem ter conseguido dormir à noite e ainda sem remédio para febre, ela permaneceu por horas aguardando atendimento. O tempo passou e, segundo ela, ninguém a chamou. “Deu oito horas, oito e meia, quase nove horas da manhã e nada. Eu estava com frio, com febre, muito cansada”, disse.

Entre este período, Célia sofreu uma convulsão dentro da unidade, ainda na área de recepção. Ela afirma que, ao recobrar a consciência, estava desorientada e percebeu que havia sido levada para uma sala, colocada em uma maca e contida de forma inadequada.

“Quando acordei, meu rosto estava todo machucado, roxo de um lado, braços doloridos. Disseram que eu bati a cabeça no chão, mas eu nunca fiquei assim em nenhuma outra convulsão”, contou.

Epilética há 19 anos, Célia explica que conhece bem o próprio quadro e afirma que o procedimento adotado pelos profissionais não foi o correto. “Não se segura uma pessoa durante uma convulsão. O certo é deitar de lado, proteger a cabeça. Me seguraram, tentaram pegar veia, e isso me deixou toda machucada”, afirmou.

Ela também relata que um funcionário da recepção teria ido até a sala onde ela estava se recuperando e passou a questioná-la de forma agressiva sobre o motivo de estar no local. “Ele falava alto, nervoso, cuspindo enquanto gritava. As enfermeiras tiveram que tirá-lo da sala, porque eu tinha acabado de sair de uma convulsão”, disse.

Célia afirma que havia outras pessoas no local, mas ninguém quis testemunhar o ocorrido. Apesar da sugestão dos profissionais para que fosse encaminhada a uma UPA para observação, ela recusou.

“Convulsão faz parte da minha condição. O que não é normal é a forma como fui tratada. Falta preparo, falta conhecimento”, desabafou.

A paciente disse que decidiu tornar o caso público porque acredita que outras pessoas possam passar por situações semelhantes no futuro caso os profissionais não tenham o preparo adequado. “Quando é o cidadão que é prejudicado, tudo fica abafado. Eu quis falar porque isso não pode continuar acontecendo”, concluiu.

A reportagem procurou a prefeitura para falar sobre o assunto, mas até agora não teve resposta. O espaço segue aberto para manifestações futuras.

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