segunda-feira, novembro 2, 2026

‘Me puniram por denunciar’: ex-GCM acusa Guarda de perseguição

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Após 12 anos de atuação sem punições disciplinares, o ex-guarda civil metropolitano Ezequiel Ribolis afirma ter sido alvo de perseguição, assédio institucional e retaliações administrativas dentro da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de Campo Grande, culminando em sua exoneração no final de 2023, mesmo estando em tratamento de saúde mental reconhecido por laudos médicos e por perícia judicial.

Em relato detalhado à reportagem, Ezequiel conta que ingressou na GCM em 2011, por meio de concurso público com três etapas – prova teórica, teste físico e avaliação psicológica rigorosa. Após cumprir os três anos de estágio probatório, adquiriu estabilidade e seguiu na corporação por mais de uma década sem registros de faltas graves ou punições.

Segundo ele, a situação mudou quando passou a cobrar direitos trabalhistas e questionar decisões administrativas internas. “A partir disso, começou a perseguição. Um superior com ligação política me transferiu de um posto regular para um local completamente desestruturado e perigoso, onde eu trabalhava sozinho, com redução salarial”, relata.

Ezequiel afirma que foi colocado para atuar em um local considerado perigoso e, segundo ele, sem o reforço mínimo de efetivo.

O estopim, segundo o ex-GCM, ocorreu quando quase foi esfaqueado durante o serviço. Após o episódio, procurou a ouvidoria para denunciar as condições de trabalho e o risco à própria vida. A partir disso, afirma que passou a sofrer uma sequência de sindicâncias administrativas, que classifica como “absurdas”.

Entre as punições, ele cita processos por uso de farda incompleta, mesmo sem fornecimento adequado de uniformes pela corporação; por endereço desatualizado; e por faltas ao serviço, ocorridas em um período em que, segundo ele, já apresentava quadro de adoecimento mental severo, com medo real de morrer em serviço.

O ex-GCM afirma que na época já fazia uso contínuo de sete medicamentos diários, incluindo dois de tarja preta, e que possuía três laudos médicos distintos, além de acompanhamento pelo CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), todos recomendando afastamento e tratamento. Nenhum deles, segundo ele, foi considerado pela administração.

Atualmente, Ezequiel move quatro ações judiciais contra a Prefeitura, todas ainda em andamento. Em uma delas, passou por perícia judicial, que, segundo ele, reconheceu o adoecimento e a necessidade de tratamento prolongado.

Sem renda fixa desde a exoneração, ele afirma que precisou vender um apartamento financiado e um carro para sobreviver, enquanto tenta obter auxílio-doença. “Hoje eu não consigo trabalhar nas condições em que me encontro. Fui descartado”, diz.

Denúncias graves

Além da própria situação, Ezequiel denuncia a existência de irregularidades estruturais dentro da GCM, incluindo, por exemplo, exigência de “vaquinhas” entre guardas para manutenção de viaturas, disparidade salarial extrema entre agentes da mesma função, além de casos de furtos e vandalismo em unidades públicas sem abertura de sindicância.

Outro lado

A reportagem procurou a Prefeitura de Campo Grande para se manifestarem sobre as denúncias. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta. O espaço segue aberto.

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