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Diabetes cresce 135% no Brasil, mostra inquérito nacional

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(FOLHAPRESS) – A população adulta brasileira com diabetes registrou um crescimento expressivo em 18 anos. O índice passou de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024, uma alta de 135%. Segundo a diretora do Departamento de Vigilância de Doenças Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Letícia Cardoso, o avanço é um alerta para a prevenção e o cuidado, mas também reflete o aumento do diagnóstico da doença.

A hipertensão arterial seguiu trajetória semelhante no período e cresceu 31%, saltando de 22,6% para 29,7%.

A prevalência de obesidade, definida por IMC igual ou superior a 30, e de excesso de peso, com IMC a partir de 25, também avançou de forma significativa ao longo de 18 anos. A obesidade passou de 11,8% para 25,7%, enquanto o excesso de peso subiu de 42,6% para 62,6%. No período, a obesidade aumentou 118% e o excesso de peso, 47%. O IMC é calculado pela divisão do peso pela altura ao quadrado.

Em ambos os casos, o crescimento foi maior entre as mulheres. A obesidade subiu de 12,1% em 2006 para 26,7% em 2024, uma média de 0,73 ponto percentual por ano. Já o excesso de peso avançou de 38,5% para 60,6% no mesmo intervalo, com aumento médio anual de 1,20 ponto percentual.

Os dados foram apresentados nesta quarta-feira (28), no Rio de Janeiro, e integram o Vigitel 2025, Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, do Ministério da Saúde.

O consumo regular de frutas e hortaliças, cinco dias por semana ou mais, apresentou leve queda entre 2008 e 2024, passando de 33% para 31,4%. Nos dois últimos anos da série, porém, houve uma pequena recuperação, de 14,3% em 2023 para 16,2% em 2024.

Um dado positivo foi a redução no consumo de refrigerantes e sucos artificiais em cinco dias ou mais da semana. O índice caiu de 30,9% em 2007 para 16,2% em 2024. A diminuição ocorreu em ambos os sexos, com destaque entre os homens, cujo consumo recuou de 35,7% para 19,1%.

Também foram observadas mudanças nos padrões de atividade física. A prática durante o deslocamento caiu de 17% em 2009 para 11,3% em 2024. Em contrapartida, a proporção de adultos que realizam atividade física moderada no tempo livre, ao menos 150 minutos por semana, aumentou de 30,3% para 42,3% no mesmo período.

Pela primeira vez, a qualidade do sono foi incluída no levantamento. Segundo o Vigitel, 20,2% dos adultos relataram dormir menos de seis horas por dia. Entre os entrevistados, 31,7% apresentaram sintomas de insônia, com maior prevalência entre mulheres, 36,2%, ante 26,2% entre homens.

“Isso preocupa porque poucas horas de sono, ou um sono sem qualidade, têm relação direta com ganho de peso, obesidade, piora de doenças crônicas como hipertensão e diabetes, além de impacto na saúde mental”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Para Padilha, hipertensão, diabetes e obesidade têm causas multifatoriais. Ele destacou avanços nos hábitos da população, mas disse que ainda são insuficientes. “As pessoas bebem menos refrigerantes e sucos artificiais e praticam mais atividade física, mas isso não tem sido suficiente para reduzir a ocorrência dessas doenças. À medida que o Brasil envelhece, aumenta o número de pessoas com hipertensão e diabetes, e o risco se torna maior. Por isso, são necessárias mais ações de cuidado, promoção e prevenção”, afirmou.

Na ocasião, o ministro lançou a estratégia Viva Mais Brasil, uma mobilização nacional voltada à promoção da saúde e à melhoria da qualidade de vida.

O programa contará com investimentos de R$ 340 milhões em políticas de estímulo à atividade física, incluindo a retomada da Academia da Saúde, que receberá R$ 40 milhões ainda em 2026, conforme portaria assinada nesta quarta-feira.

Atualmente, o país tem 1.775 Academias da Saúde em funcionamento, e a expectativa é credenciar mais 300 unidades até o fim de 2026.

O Viva Mais Brasil reúne dez compromissos para viver mais e melhor: movimento e vida ativa; alimentação saudável; redução do tabaco e do álcool; mais saúde nas escolas; enfrentamento das doenças crônicas; ampliação da vacinação; protagonismo e autonomia; saúde digital; cultura da paz e redução da violência; e ampliação das práticas integrativas e complementares.

“Essa é uma ação que reforça o papel do Ministério da Saúde como promotor de saúde, e não apenas de tratamento da doença. Uma boa saúde começa com prevenção e promoção. Queremos criar, com o Viva Mais Brasil, um verdadeiro movimento que una as pessoas, as mais de 100 mil equipes da atenção primária espalhadas pelo país e outras áreas do governo, em favor da qualidade de vida”, afirmou Padilha.

O Vigitel monitora anualmente, por meio de entrevistas telefônicas, a situação de saúde da população adulta nas 26 capitais e no Distrito Federal. O levantamento investiga fatores de risco e proteção relacionados às doenças crônicas não transmissíveis, como tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, alimentação, prática de atividade física, qualidade do sono, além de prevenção de cânceres e comportamento no trânsito.

Os dados embasam as metas do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas no Brasil 2021-2030, do Plano Global da Organização Mundial da Saúde e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.

A meta nacional é ampliar em 30% a prática de atividade física no lazer até 2030, o que elevaria a prevalência para 47,7%.

Questionado sobre a oferta de medicamentos injetáveis para obesidade no SUS, Padilha afirmou que a OMS reconhece a importância dessas tecnologias, mas destaca o alto custo como principal desafio. Segundo ele, o ministério seguirá a orientação internacional e busca estimular instituições do SUS e empresas nacionais a desenvolverem a tecnologia, reduzindo a dependência de poucos fornecedores e o preço praticado no mercado.

O Ministério da Saúde também solicitou à Anvisa um edital de chamamento público para empresas que detenham tecnologia de medicamentos cuja patente expira em março, permitindo o registro e a produção nacional com preços mais acessíveis.

A projeção nacional, em 2024, foi de 34,27 casos por 100 mil habitantes, ligeiramente abaixo do pico registrado em 2023 (36,28). Em 2024, Espírito Santo (139,37) e Santa Catarina (95,65) lideraram o ranking, seguidos por Rondônia (85,11), que se destacou fora do eixo regiona

Agência Brasil | 05:30 – 27/01/2026

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