quarta-feira, junho 10, 2026
Bora Ouvir – Total 40 Graus
BORA OUVIR
PROGRAMAÇÃO TOTAL 40 GRAUS
🔴 AO VIVO AGORA
Clique em "Letra" para ver a letra da música atual

Empresário é condenado a 22 anos de prisão por liderar garimpo na terra Yanomami

Date:

Share G1 Style

J.OÃO GABRIEL
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A Justiça Federal em Roraima condenou o empresário e garimpeiro Rodigo Martins de Mello, conhecido como Rodrigo Cataratas, a 22 anos e 7 meses de prisão e mais o pagamento de R$ 31.724.287,25 pela acusação de liderar uma organização criminosa para exploração ilegal de ouro na Terra Indígena Yanomami, obstrução de investigação e lavagem de dinheiro.

O juiz Victor Oliveira Queiroz atendeu a denúncia do Ministério Público Federal na última quarta-feira (28) e também sentenciou o filho de Cataratas, Celso Rodrigo de Mello, a irmã, Bruna Martins de Mello, e Leonardo Kassio Arno, que também integra o grupo, mas com penas menores.

Procurada, a defesa de Cataratas (e que também representa seus familiares) diz que a condenação, ainda em primeira instância, tem contradições, ilegalidades e inconsistências, e indica que irá recorrer.

“A defesa confia que a justiça será feita, ainda é só o começo da luta no Judiciário para demonstrar de uma vez por todas, a inocência dos acusados”, afirma, em nota.

A reportagem não localizou a defesa de Leonardo Arno.

O garimpo ilegal de ouro na Terra Indígena Yanomami explodiu de 2019 a 2022, sob o governo de Jair Bolsonaro (PL), que é apoiador da prática e hoje está preso por liderar a tentativa de golpe de Estado para reverter o resultado das eleições de 2022. Cataratas é um apoiador do ex-presidente.

Como revelou a Folha de S. Paulo, militares na região cobravam propina para permitir a atividade enquanto a gestão bolsonarista desmontou a estrutura da saúde no território e esvaziou a Funai (Fundação dos Povos Indígenas) -seu então presidente, Marcelo Xavier, foi condenado.

O garimpo ilegal causa desmatamento e também contamina a natureza com mercúrio, utilizado no processo de extração mineral.
O metal pesado se mistura na água, é ingerido por animais e chega também aos indígenas que vivem no território, e pode causa aborto em gestantes, deformidades nos fetos, deficiência cognitiva em crianças e alterações na visão, insônia, irritabilidade, tremores das extremidades e diminuição da sensibilidade em adultos saudáveis.

Além disso, a presença de garimpeiros causou uma epidemia de malária no território, que é o maior do Brasil, com quase 10 milhões de hectares -aproximadamente a área dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo somadas.

A doença, junto com a destruição ambiental, criou um cenário gravíssimo de desnutrição entre os indígenas.

Desde 2023, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a realizar uma megaoperação para expulsão dos garimpeiros, o que praticamente acabou com a atividade no território, e conseguiu reduzir a mortalidade por malária e os quadros de subnutrição.

Rodrigo Cataratas é um apoiador de Jair Bolsonaro e se tornou um dos mais notórios garimpeiros da região por liderar uma campanha agressiva pela legalização da exploração criminosa.

Ele chegou a se candidatar a deputado federal em 2022 e foi preso por suspeita de compra de votos.

“É possível afirmar, com clareza, a existência de sólida e estruturada organização criminosa entre os réus”, liderada por Cataratas, com atuação pelo menos entre 2018 e 2022, afirma o juiz em sua decisão

“A organização criminosa em tela não foi integrada apenas pelos réus nessa ação penal, mas alcançou inúmeras pessoas -pilotos de aeronaves, donos de balsas, garimpeiros, o que demonstra a infiltração na sociedade e, por consequência, o seu potencial lesivo em face do meio ambiente e das comunidades tradicionais”, continua.

Segundo o juiz, o caso é ainda mais grave “considerando que os crimes foram praticados em Terra Indígena Yanomami, local em que se verifica grave crise humanitária de saúde, a desamparar o povo vulnerável daquela localidade”.

A sentença afima ainda que Cataratas se orgulha de se autodenominar garimpeiro em suas redes sociais, “apesar do contexto delitivo envolvido, em evidente estímulo a que outras pessoas ingressem nesse tipo de atividade criminosa”.

A sua irmã, Bruna, foi condenada a 9 anos e 2 meses de prisão; Celso, seu filho, ficou com 9 anos e 7 meses, o mesmo que Leonardo Arno. Todos terão que pagar multas.

O juiz diz que os valores arrecadados serão integralmente revertidos em favor do povo yanomami.

Canais Oficiais

Instagram

Siga e acompanha

Seguir no Instagram

YouTube

Inscreva-se no canal

Inscrever-se

TikTok

Siga e veja os vídeos

Seguir no TikTok

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Barra Redes Sociais
73,835FansLike

Artigos relacionados

Mulheres que abandonaram cão para não pagar tratamento são indiciadas em Campo Grande

Uma mulher e uma enfermeira foram identificadas e indiciadas pela Decat (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais...

Reinaldo critica queda de repasses da União para a saúde e defende mais recursos aos municípios

O ex-governador de Mato Grosso do Sul e pré-candidato ao Senado, Reinaldo Azambuja, criticou a redução da participação...

Executado no Tijuca tentou usar mulher e criança como escudo contra tiros (vídeo)

Imagens de câmeras de segurança gravaram o momento em que Jhonny Santana Souza, de 40 anos, executado a...