domingo, abril 26, 2026

Mãe diz que corpo da filha sumiu por 3 meses em hospital do DF

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Uma mulher contou que o corpo da filha recém-nascida ficou desaparecido por quase três meses após o parto no Hospital Anchieta. A mesma unidade também está envolvida em outro escândalo, em que técnicos de enfermagem foram presos suspeitos de matar pacientes.

Em abril de 2023, Alyne Pereira Gomes, 32, foi ao hospital com um pequeno sangramento quanto estava grávida de cinco meses. Ela permaneceu internada e entrou em trabalho de parto prematuro quase 20 dias depois, em maio, quando deu à luz sua filha. Informações constam no boletim de ocorrência registrado por ela, ao qual o UOL teve acesso.

Alyne conta que a enfermeira afirmou que a bebê havia nascido morta, apesar de ela e sua acompanhante dizerem que viram a menina respirar. O corpo, então, teria sido retirado da sala de parto imediatamente, enquanto a mãe foi encaminhada para a UTI (Unidade de Pronto Atendimento) para tratar uma infecção.

Dois dias depois, ao receber alta, a mulher pediu pelo corpo da filha, mas foi informada que ele não havia sido encontrado no hospital. Ainda segundo o relato, Alyne solicitou também a certidão de óbito e o prontuário médico, documentos que teriam sido negados a ela naquele momento.

Em agosto, a mãe, seu advogado e a direção do hospital fizeram uma reunião. Representantes da instituição teriam tentado esclarecer as condições em que se deu o parto, afirmando que a criança nasceu morta. Eles também argumentaram que haviam tentado contato com a família por telefone ao longo dos três meses -o que Alyne nega que tenha ocorrido.

À mulher, o hospital teria alegado o desaparecimento do cadáver ocorreu devido a uma “confusão administrativa”. No mesmo encontro, foram entregues os documentos e também o corpo da menina, mas Alyne desconfiou de que realmente fosse de sua filha. Por isso, ela realizou um exame de DNA, que após nove meses confirmou a maternidade.

A defesa do hospital Anchieta informou que não comenta processos judiciais em andamento. O UOL também entrou em contato diretamente com a instituição, mas não obteve retorno até o momento. O espaço segue aberto para manifestação.

FAMÍLIA PEDE INDENIZAÇÃO

Prontuário médico mostrou que a criança nasceu viva, mas morreu depois que foi entregue aos cuidados do neonatal. Para Alyne, a morte pode ter ocorrido devido à demora no parto, além da imposição de um parto natural e falta de informações médicas.
“Não foi passada nenhuma informação acerca das probabilidades e seus devidos riscos, inclusive, escutou do médico ‘deixa vir conforme a natureza manda”, disse a advogada Carina Nascimento Oliveira, à Justiça.

Sepultamento foi feito quase um ano depois do nascimento e, agora, Alyne relata um quadro de depressão e ansiedade. “Entrei em depressão depois de tudo o que aconteceu comigo. Vi as reportagens do que aconteceu dentro do hospital e tomei a coragem de alertar todas as mães para não passar o que passei lá dentro”, falou ao UOL.

A defesa da mulher entrou com um pedido de indenização por danos morais no valor de R$ 500 mil. A petição foi feita em agosto de 2024, levando em consideração a suposta negligência médica e falha na prestação de serviço. O processo está em fase de instrução e a audiência está marcada para abril.

COMO DENUNCIAR VIOLÊNCIA MÉDICA

Em casos de violência cometida por um profissional de saúde, seja obstétrica ou sexual, é possível fazer denúncias em diversos canais.
Você pode procurar a ouvidoria do próprio hospital ou clínica. Também recebe denúncias o conselho regional de medicina de cada Estado (é possível encontrar informações neste link acessando a aba contatos). Caso o denunciado seja um enfermeiro, auxiliar ou técnico, procure o conselho de enfermagem da região .

O Ministério Público Federal é outro órgão que pode receber denúncias, inclusive pela internet. Ainda podem ser acionados o Ministério da Mulher por meio do Ligue 180, canal do governo federal que funciona 24 horas por dia -funciona também por WhatsApp no número (61) 9610-0180 ou clicando neste link. O Disque Saúde, do Ministério da Saúde, é outra alternativa, e funciona no número 136.

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