quinta-feira, novembro 5, 2026

Vazamento de trechos de reunião gera desconforto no Supremo

Date:

Share

UM saída de Dias Toffoli da relatoria do caso Master, no Supremo Tribunal Federal (STF), não aliviou o clima interno — pelo contrário. Ministros passaram a desconfiar que reuniões reservadas entre integrantes da Corte podem ter sido gravadas, e que parte do conteúdo teria sido repassada ao Poder360.

Nesta sexta-feira (13), o jornal digital publicou um relato detalhado das reuniões realizadas na quinta-feira, incluindo uma conversa preparatória restrita a cinco ministros: o presidente Luiz Edson Fachin, Toffoli, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia.

Depois da publicação, ministros disseram ao blog que grande parte do texto corresponde ao que foi discutido e reproduz frases literais ditas no encontro. Algumas declarações, porém, teriam sido distorcidas. Segundo esses magistrados, o relato também deixou de fora trechos negativos a Toffoli. A ausência reforçou suspeitas internas contra ele, algo que teria circulado no tribunal ao longo do dia.

Procurado pela GloboNews, Toffoli negou a acusação e afirmou que a informação é “totalmente inverídica” e que ele nunca gravou ninguém na sua vida.

A repercussão gerou espanto entre os ministros. “São frases literais, numa sequência muito semelhante ao que aconteceu nas reuniões. Para quem estava lá, a sensação é de que alguém dentro da sala gravou tudo aquilo”, disse um ministro. Outro foi direto: “É uma traição, muitas frases são literais. Mas algumas são invenções a favor do próprio vazador”.

Ao todo, três reuniões aconteceram na quinta-feira: uma restrita antes do plenário e outras duas após a sessão, com duração de duas horas e vinte minutos e cerca de 30 minutos. Nenhum assessor participou presencialmente.

Segundo o Poder360, na reunião reservada, oito dos dez ministros teriam defendido a permanência de Toffoli no inquérito sobre fraudes financeiras do banco de Daniel Vorcaro. Apenas Fachin e Cármen Lúcia teriam sido favoráveis à saída. “Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo”, teria dito Cármen Lúcia.

Ainda de acordo com a reportagem, Nunes Marques afirmou: “Minha sugestão é que o ministro relator do processo faça uma proposição dizendo que não é impedido nem suspeito e coloque os argumentos dele diante do que foi apresentado e a gente vota. E pelo que vi aqui, ele vai ter maioria. O ideal seria unanimidade, presidente (Fachin)”.

Depois de uma manifestação de Flávio Dino sobre o contexto político do caso, Toffoli teria aceitado que o melhor seria se afastar. Com isso, André Mendonça foi sorteado como novo relator, o que evitou uma decretação de suspeição e preservou os atos já praticados. Nesta sexta, Mendonça se reuniu com delegados da Polícia Federal para entender o andamento da investigação.

Leia Também: Ministros relatam falta de confiança e veem Fachin isolado após caso Toffoli

Share
Barra Redes Sociais
87,880FansLike

Artigos relacionados

Fé também movimenta negócios e amplia mercado de artigos religiosos

A procura por produtos ligados à fé e à espiritualidade também movimenta o comércio e abre espaço para...

Deputado aciona MP contra mineradora por danos ambientais por acidente no rio Paraguai (vídeo)

O deputado estadual Paulo Duarte (PSDB) protocolou uma representação no Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS)...

Vereador cobra secretário e diz que prazo para tapar buracos em Campo Grande está acabando (vídeo)

O vereador Professor Riverton (PP) cobrou o cumprimento do prazo estabelecido pela Prefeitura de Campo Grande para a...

Mendonça dá 15 dias para PGR analisar indiciamento de Vorcaro

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 15 dias para a Procuradoria-Geral da...