segunda-feira, abril 27, 2026

Trump mobiliza mais tropas e amplia ação no estreito de Hormuz

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A flotilha com três navios de guerra carregando 4.000 marinheiros, 2.500 deles fuzileiros para ações em terra, deixou o porto de San Diego (Califórnia) na mesma quinta-feira (19) em que Trump descartava as “botas no solo” –na mesma fala, contudo, disse que não contaria à imprensa se tivesse outra ideia.

O destino do grupo liderado pelo navio de desembarque anfíbio USS Boxer foi revelado inicialmente pelo site americano Newsmax, sendo confirmado de forma anônima a diversos meios de comunicação. A Marinha dos EUA não comentou.

Na semana passada, Trump já havia deslocado do Japão outro grupo similar, liderado pelo USS Tripoli, que já se aproxima da região. A viagem do grupo do Boxer pode demorar qualquer coisa de 10 a 15 dias.

Com isso, haverá 5.000 soldados treinados para operações terrestres, o que é insuficiente para uma invasão com fins de derrubar o regime teocrático que resiste após quase três semanas de bombardeios iniciados pelos EUA e por Israel. Em 2003, a invasão do Iraque envolveu 20 navios do tipo.

Como disse o próprio premiê Binyamin Netanyahu na quinta, “uma revolução não se faz pelo ar”, necessitando de um “componente terrestre”. Se ele crê ser possível derrubar o regime com uma força reduzida, isso não se sabe.

Há duas leituras mais imediatas para a concentração. Primeiro, que, na verdade os EUA estão improvisando um reforço no seu poderio aeronaval, dado que cada um dos grupos expedicionários leva cerca de 20 caças de quinta geração F-35B, a versão dos fuzileiros que pode decolar de forma vertical.

O envio dos F-35B ajudaria a suprir a falta que o porta-aviões USS Gerald R. Ford fará, dado que o maior navio de guerra do mundo está deixando o mar Vermelho rumo à Grécia, onde passará talvez uma semana fazendo reparos após um incêndio a bordo não relacionado ao combate.

Com isso, ficou na região apenas o porta-aviões USS Abraham Lincoln e suas cerca de 90 aeronaves, talvez 65 delas de ataque.

A segunda hipótese é de que Trump quer ter na mão a opção de uma ação terrestre limitada no golfo Pérsico, algo extremamente arriscado, mas não impossível dado o desenho em curso da guerra.

Nesta semana, o Pentágono confirmou que está acelerando os ataques a instalações costeiras e ativos navais de pequeno porte do Irã no estreito de Hormuz, o gargalo marítimo no centro da grande crise energética que a guerra trouxe ao mundo.

Via de escoamento de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, Hormuz é o quintal estratégico de Teerã, que o militarizou, provavelmente colocando minas em trechos importantes para obrigar os navios que autoriza a passar a usar uma rota que passa por suas águas.

Para agravar a situação, o ataque de Israel à fatia iraniana do maior campo de gás do mundo levou a uma retaliação da teocracia que destruiu parte da infraestrutura da commodity no maior produtor global, o Qatar.

Trump negou ter participado da ação, o que Netanyahu confirmou e ninguém acreditou. Seja como for, a divergência entre os parceiros na guerra ficou para o público, e o americano disse que Israel não mais atacaria.

Ao mesmo tempo, o presidente dos EUA disse que explodiria o campo se o Irã voltasse a atacar instalações de gás do Qatar. O chanceler iraniano respondeu que retaliaria se o seu campo fosse atacado novamente. E por ora a situação se estabilizou, com os preços do gás e do petróleo ainda altos, mas não na disparada de quinta.

Segundo o Pentágono, aviões de ataque aproximado A-10 Warthog estão sendo empregados e helicópteros AH-64 Apache, ambas armas que são usadas quando há alguma segurança de que sistemas antiaéreos estão desabilitados.

Eles voam baixo e devagar, caçando alvos menores. Isso sugere uma tentativa de degradar ainda mais a rede militar do Irã em Hormuz, que tinha ao menos 16 bases principais. Uma delas foi bombardeada nesta sexta (20).

Esses ataques poderiam ser a preparação para o emprego de tropas em pontos da costa de Hormuz ou para a tomada da ilha de Kharg, mais acima no golfo Pérsico, que é o terminal de embarque de quase toda a produção petrolífera do Irã.

Ambas as ideias soam, para analistas militares, bastante arriscadas porque o Irã, mesmo bastante enfraquecido pelas semanas de bombardeios, retém uma capacidade de lançamento de mísseis e drones considerável, como se vê todos os dias em Israel e nos vizinhos do golfo.

Desembarcar fuzileiros em pontos costeiros ou em Kharg é uma coisa; manter a posição é outra. Mas aparentemente Trump quer manter essa carta à disposição, até para aumentar a pressão política sobre a teocracia.

O Estreito de Hormuz é um trecho de água difícil de atacar e o Irã tem se aproveitado da geografia do local; ao menos 17 navios de carga e petroleiros foram atingidos no Golfo e no estreito, segundo o New York Times

| 21h48 – 18/03/2026

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