domingo, abril 26, 2026

Campanha nacional de vacinação contra a gripe começa neste sábado (28)

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Neste primeiro momento, pode receber o imunizante apenas o público prioritário, composto por crianças de 6 meses a 5 anos, gestantes, idosos e profissionais de saúde, grupos que apresentam maior risco de desenvolver formas graves da doença. Os estados também podem definir critérios próprios para atender outros grupos, como professores, durante a campanha, que será finalizada no dia 30 de maio.

Em 2025, a cobertura vacinal contra a gripe no Brasil ficou muito abaixo da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde. Dados parciais indicam adesão em torno de 40% entre os grupos prioritários, sem que nenhum estado tenha atingido o objetivo. O país fechou o ano com 59 milhões de doses aplicadas.

Para ampliar o alcance da campanha, o governo federal vai enviar 10 milhões de mensagens por aplicativos de comunicação até esta quinta-feira (26). Estados e municípios também foram orientados pelo Ministério da Saúde a intensificar as ações desde o início da ação, com busca ativa para chegar mais rápido aos grupos prioritários.

Segundo a pasta, mais de 15 milhões de doses do imunizante foram enviadas aos estados até esta quinta-feira (26). As doses são atualizadas para proteger contra as novas cepas do vírus influenza que circulam neste ano.

Quem já tomou a vacina antes precisará receber apenas uma dose, para atualizar a proteção. Já crianças que recebem o imunizante pela primeira vez devem tomar duas, com intervalo de um mês entre uma e outra.

A diferença no calendário entre as regiões do país tem explicação técnica, afirma Rita Madeiros, professora de infectologia e virologia da UFPA (Universidade Federal do Pará) e integrante do comitê de vírus respiratórios da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia). Isso porque a circulação do vírus da gripe no Norte do país acontece mais cedo em comparação com outras regiões.

“Na região Norte, o vírus começa a circular mais precocemente. Neste ano, por exemplo, já tivemos casos em fevereiro. Por isso, vacinar no fim de março ou início de abril não é adequado para nós, porque, em geral, os surtos já passaram nesse período”, explica.

Assim, a imunização realizada no fim do ano passado, por exemplo, teve como objetivo proteger a população entre dezembro de 2025 e maio de 2026. “Quando tivemos o surto neste ano, a população já estava vacinada com a campanha anterior”, diz.

“Na região Norte, a estratégia ocorre no segundo semestre, antes do período de maior circulação do vírus, que coincide com o ‘inverno amazônico’ no fim do ano, época mais chuvosa e com aumento das síndromes respiratórias”, diz o Ministério da Saúde em nota.

Nas demais regiões do país, a lógica é diferente. A campanha que começa agora busca antecipar a proteção para o período de maior circulação do vírus, que ocorre principalmente entre maio e junho.

“A partir de agora, o vírus já começa a circular em alguns estados, mas é entre maio e junho que há um aumento mais significativo na transmissão nessas regiões”, explica.

Dados preliminares de 2026 mostram que foram notificados 14,3 mil casos de síndrome respiratória aguda grave (Srag) no país, com cerca de 840 óbitos. Entre esses casos, 28,1% foram causados por influenza.

VACINAÇÃO EM SÃO PAULO

Em São Paulo, a vacinação ocorre nas 481 unidades básicas de saúde da cidade, segundo a prefeitura. Neste sábado, a aplicação será das 8h às 17h. A partir de segunda-feira (30), segue o horário regular das unidades: de segunda a sexta, das 7h às 19h, e, aos sábados e feriados, nas AMAs (Assistências Médicas Ambulatoriais) integradas às UBSs, no mesmo período. A população pode encontrar o serviço mais próximo por meio da plataforma Busca Saúde.

Entre os grupos considerados prioritários para receber a vacina, a Prefeitura e o Governo de São Paulo incluem povos indígenas e quilombolas, pessoas em situação de rua, pessoas com deficiência e com doenças crônicas, trabalhadores da educação (do ensino básico ao superior), policiais militares, civis e guardas municipais, bombeiros, agentes da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), integrantes das Forças Armadas, caminhoneiros, motoristas de ônibus, servidores dos Correios, trabalhadores portuários, população privada de liberdade e funcionários do sistema prisional, além de adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a cobertura vacinal em 2025 atingiu 61,33%, sendo: 69,12% em crianças de 6 meses a menores de 6 anos; 79,18% em gestantes e puérperas; e 57,89% em pessoas com 60 anos ou mais.

No estado, até agora, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo afirma que recebeu cerca de 3 milhões de doses, que estão sendo distribuídas aos 645 municípios paulistas. Neste ano, até sexta-feira (20), o estado registrou 5.801 Srag por influenza e 401 óbitos.

“A gripe é uma virose que circula todos os anos, com temporadas diferentes conforme a região, mas continua provocando internações e óbitos. Tudo isso pode ser evitado com a vacinação”, alerta Madeiros. “A vacina é atualizada todos os anos porque o vírus muda com frequência. Além disso, a proteção diminui ao longo do tempo, especialmente em idosos. Por isso, é fundamental se vacinar todos os anos”, conclui.

Leia Também: Butantan produzirá remédio contra câncer para o SUS

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