”Fiz terapia. Fiz luta”, disse uma ex-namorada do então diretor-presidente da Funesp, Sandro Benites, 51 anos, em Campo Grande, sobre como superou o trauma da violência doméstica. Um dos episódios mais tristes da relação foi quando o filho de ambos, de dois anos, a viu ser espancada pelo político.
A vítima, durante o depoimento, observou que era menor de idade e à época, assim como Sandro, com 19 anos. A relação durou oito anos – dos 16 aos 24 anos dela – e terminou com uma triste marca.
”Eu era uma boba. Ele me espancou e eu larguei dele”, desabafou a ex-convivente. Na sequência respondeu porque não o denunciou antes.
”Éramos muito jovens. Não tinha Lei Maria da Penha”, contou. Sobre o episódio com o filho, disse que esse foi a cena mais triste da vida. O detalhamento da situação é forte e inclui tortura com enfiamento da cabeça dela na privada e enforcamento. O motivo, garante a mulher, seria ciúmes por parte de Benites.
”Meu filho viu o espancamento com 2 anos”, disse a vítima a uma psicóloga à época. O relato foi tão marcante que a profissional diz se lembrar disso quando a encontra. Ela descreveu o relacionamento como ”um namoro não assumido”. No site da Justiça ainda consta um resumo do registro do caso, mas como ”violação de domicílio”. O nome da vítima é o mesmo da denunciante e o autor é Sandro Trindade Benites.
Denunciante garante que Sandro foi condenado (Foto: Reprodução TJMS)
O caso tramitou entre 1995 e 1996. Posteriormente foi eliminado. A mulher detalhou que houve condenação em que o pai do ex-vereador teve de pagar cestas básicas.
Além das torturas físicas, que a fizeram romper com Sandro, a denunciante diz que a vida dela seguiu com outras nuances de violência: difamações sobre ela para outras pessoas além da conduta em relação ao filho que tinham em comum.
”Se eu denunciasse ou me intrometesse nas decisões dele, iria me boicotar na vida pessoal, com meu filho, com nosso neto’’, relembrou. ”Apesar de vencer tudo na Justiça, foi tudo muito difícil, muito doloroso. Ele é tipo um psicopata”, complementou.
Testemunha
Essa vítima destaca que se encorajou a falar após uma denúncia de uma amante de Sandro, registrada na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, a DEAM, em 7 de março. Ela, inclusive, está incentivando as demais e pode ser até arrolada como testemunha.
Na visão da denunciante, Sandro tem pouco ou nenhum interesse afetivo nas relações. Ele faz juras de amor, promessas, mas o objetivo é se aproveitar do nome das mulheres para fazer transações financeiras e lavagem de dinheiro.
O espaço segue aberto para os citados.
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