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Lula supera Flávio Bolsonaro entre eleitores de centro, indica Datafolha

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Em uma escala de 1 a 7, o Datafolha pede ao entrevistado para responder em qual posição política se colocaria, sendo 1 o máximo à esquerda e 7, o máximo à direita. O eleitor de centro corresponde, portanto, ao número 4.

Nos cenários testados pelo instituto com a presença de Lula e de Flávio e sem Ratinho Junior -que anunciou na segunda (23) a desistência da candidatura-, o petista aparece na frente.

No primeiro deles, Lula tem 31% das intenções de voto, seguido por Flávio, com 17%. Romeu Zema (Novo) aparece com 9%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 6%.

A margem de erro neste grupo de centro é de cinco pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi realizada de 3 a 5 de março de 2026, com 2.004 entrevistas em todo o Brasil, distribuídas entre 137 municípios, com a população de 16 anos ou mais. O levantamento está registrado no TSE sob o código BR-03715/2026.

Como mostrou a Folha de S. Paulo, na pesquisa geral, com todo o eleitorado, Lula também está à frente de Flávio nos cenários de primeiro turno, por cinco ou seis pontos percentuais. Neste caso, a margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos.

Na pesquisa espontânea, quando o Datafolha não cita o nome dos possíveis candidatos, 15% dos eleitores autoidentificados como de centro dizem que pretendem votar em Lula para presidente, enquanto 2% mencionam Flávio e, outros 2%, Jair Bolsonaro (PL).

No segundo turno entre Lula e Flávio, o presidente conta com 41% das intenções de voto entre o grupo de centro, e o senador, com 32% -estão empatados tecnicamente. Outros 24% dizem que pretendem votar em branco, e 3% não sabem.

Na pesquisa com todo o eleitorado, os dois também aparecem empatados na simulação de segundo turno, mas com uma diferença numérica menor. O filho de Bolsonaro marca 43%, ante 46% do presidente.

O Datafolha também perguntou a cada entrevistado em qual número ele se encaixa, considerando uma escala de 1 a 5, em que 1 é bolsonarista e 5, petista. Assim, o eleitor que se identifica como o número 3 não está alinhado a nenhum dos polos.

Nos cenários de primeiro turno testados pelo instituto, Lula e Flávio estão empatados tecnicamente entre esse eleitorado, com o presidente numericamente à frente por entre sete a dez pontos percentuais. A margem de erro neste grupo também é de cinco pontos percentuais, para mais ou para menos.

Os dois também estão empatados na simulação de segundo turno. O presidente tem 40% das intenções de voto entre o eleitor que não se identifica como bolsonarista ou petista, enquanto o filho de Bolsonaro tem 35%. Outros 23% afirmam que pretendem votar em branco, e 2% não sabem.

Lula e Flávio empatam tecnicamente ainda no quesito rejeição, considerado chave para as campanhas, que projetam que o eleitor independente escolherá não o candidato ideal, mas o menos pior.
Entre os eleitores que se autoidentificam como de centro (número quatro na escala da esquerda à direita), 45% afirmam que não votariam de jeito nenhum em Lula no primeiro turno, enquanto 51% dizem o mesmo de Flávio.

Professor de ciência política na USP, Sérgio Simoni diz que os números indicam vantagem para Lula entre o eleitorado de centro, mas pondera que é preciso ter cuidado com a interpretação dos dados.

“Às vezes (o entrevistado) coloca centro, mas não é exatamente o mesmo significado que a gente atribui (para o termo). Quando (o Datafolha) pergunta também (no contexto da) escala entre petistas e bolsonaristas, permite um cenário com mais nuances”, afirma.

Independentemente da intenção de voto, a maioria dos eleitores que se encontra no meio das duas escalas diz que prefere que a maior parte das ações do próximo presidente seja diferente das de Lula. Estão de acordo com esta afirmação 79% dos entrevistados que se autoidentificam como de centro, e 81% dos que não se posicionam como bolsonaristas ou petistas.

POLARIZAÇÃO

Bolsonaristas e petistas correspondem a fatias quase idênticas do eleitorado, mostra a pesquisa -cada grupo representa pouco mais de um terço.

Na escala de 1 a 5, sendo 1 bolsonarista e 5, petista, 19% dos entrevistados se posicionam como o número 3, não associado a nenhum dos polos. Outros 7% se colocam como o número 2 na escala, e 9%, como o 4. Na ponta, há 28% de eleitores identificados ao máximo como bolsonaristas, e outros 28%, como petistas.

Não houve nos últimos anos variação percentual nos dois grupos para além da margem de erro.

Simoni afirma que os dados indicam que de fato existe uma divisão cristalizada entre petistas e bolsonaristas, mas pondera que há uma grande faixa de eleitores que pode ser disputada. “Mais de um terço dos eleitores se posiciona ou no meio, ou, ainda que tendendo para um lado, não se identifica fortemente (com nenhum dos lados)”, diz.
Já na escala de 1 a 7, do máximo à esquerda ao máximo à direita, respectivamente, 15% dos entrevistados se colocam no número 1, 17%, no número 4, e 29%, no número 7. Os demais se dividem entre as posições restantes, de forma equilibrada.

Para Simoni, a grande porcentagem de eleitores que se consideram o máximo à direita não pode ser interpretada como um indício de radicalidade.

“Tradicionalmente, a direita tem um patamar mais elevado do que a esquerda. Mesmo nos momentos nos quais Lula estava no auge, como quando ganhou a eleição de 2002.”
O professor afirma que, segundo uma das interpretações para essa vantagem, o eleitor pode não atribuir o mesmo significado que os acadêmicos para os termos esquerda ou direita.

PERFIL RAIZ

A pesquisa também permite traçar o perfil do eleitorado bolsonarista, petista e de centro.

O bolsonarista raiz é homem, vive nas regiões Sul, Centro-Oeste ou Norte, é branco, evangélico e prefere o PL.
Já a petista raiz é mulher, tem mais de 60 anos, completou o ensino fundamental, ganha até dois salários mínimos, vive no Nordeste, é aposentada e católica.

O eleitor desassociado do petismo e do bolsonarismo, por sua vez, tem o seguinte perfil: homem, entre 16 e 24 anos, estudante, com ensino superior, sem partido de preferência, sem religião e morador da região Sudeste.

A estagiária de comunicação Fernanda Rabello, 22, faz parte do grupo. “Sou centro, porque acredito que é possível ter benefícios pra sociedade em ambos os lados, com um mediando o outro”, diz. “Não decidi em quem votar para presidente, está cedo ainda. Acho que o maior problema do país é a disparidade de classes: pessoas que detêm muita riqueza e pessoas que não têm o que comer.”

Leia Também: PF prende pela segunda vez Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj

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