segunda-feira, setembro 21, 2026

Prefeitura de Campo Grande compra R$ 44 mil em colchões de empresa de engenharia

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A aquisição de colchões pela prefeitura de Campo Grande para atender a Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania expôs uma prática comum, mas que exige lupa redobrada dos órgãos de controle: a contratação de “empresas guarda-chuva”, que atuam em setores totalmente diversos.

Documentos oficiais da homologação do Pregão Eletrônico 021/2026 mostram que o Lote 001, referente a 160 colchões de solteiro (espuma D33), foi arrematado pela empresa “São José Engenharia e Comércio Ltda”. Cada unidade saiu por R$ 278, totalizando um contrato de R$ 44.480.

O que chama a atenção não é o valor, mas o perfil da contratada. Apesar de carregar “Engenharia” na razão social, dados da Receita Federal apontam que a atividade principal (CNAE) da São José é de “serviços combinados de escritório e apoio administrativo”. No papel, a empresa possui um cardápio vasto de atividades secundárias que vão da construção civil a serviços de plastificação.

No jargão técnico das compras públicas, empresas com essa multiplicidade de funções raramente fabricam ou possuem estoque próprio do que vendem. Elas atuam como intermediárias: vencem o pregão e compram no atacado para revender ao município. Essa dinâmica levanta questionamentos sobre os critérios da prefeitura para aceitar os atestados de capacidade técnica, já que o município precisa ter garantias logísticas de que um escritório administrativo tem galpão estruturado para entregar e armazenar dezenas de colchões.

O estranhamento aumenta quando o resultado da São José é comparado com os demais vencedores do mesmo certame. O Lote 3, destinado à compra de colchões hospitalares com revestimento impermeável, foi arrematado pela “Distribuidora FXO Ltda”. Já a compra de colchões para berço ficou com a “RCA Saúde Comércio”. Ambas possuem perfis corporativos muito mais próximos da área da saúde e distribuição de bens de consumo, contrastando com o perfil de engenharia e escritório da São José.

Para entender um pouco mais sobre a empresa, a reportagem esteve no endereço comercial indicado no CNPJ da São José Engenharia, mas encontrou as portas fechadas. O escritório estava lacrado no cadeado e um segundo salão associado à empresa aparentava estar sujo e desordenado, o que levanta dúvidas sobre o cumprimento das normas sanitárias de armazenamento. Um vizinho informou que um empresário que costuma trabalhar com licitações trabalha no local, mas não tem horários regulares. 

A equipe ainda solicitou à Prefeitura de Campo Grande os atestados de capacidade técnica apresentados pela São José Engenharia, a fim de verificar qual órgão atestou a experiência da empresa no fornecimento em escala de itens de cama. O espaço segue aberto para o município e para a empresa, ambos contatados também por e-mail.

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