A audiência pública realizada nesta sexta-feira (10), na Câmara Municipal de Campo Grande, foi marcada por forte mobilização de profissionais da saúde, conselhos e sindicatos contra a proposta da prefeita Adriane de implantar Organizações Sociais (OSs) nos centros de saúde dos bairros Tiradentes e Aero Rancho.
A maioria dos vereadores também se posicionou contra o modelo, apontando riscos como falta de transparência, dificuldade de fiscalização, precarização do trabalho e prejuízos no atendimento à população.
Durante o debate, representantes de diversas categorias, sendo médicos, enfermeiros, farmacêuticos, assistentes sociais e usuários do SUS, criticaram a terceirização, afirmando que o modelo pode transformar o atendimento em metas e números, além de abrir brechas para irregularidades.
O secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, defendeu a proposta, alegando que o município enfrenta limitações orçamentárias e entraves burocráticos. Segundo ele, o custo mensal das unidades chega a R$ 4,3 milhões, e o modelo com OSs poderia trazer mais eficiência e redução no tempo de espera.
Apesar disso, entidades e parlamentares rebateram os argumentos e citaram exemplos negativos em outros estados, além de levantarem preocupação com possível implantação por decreto, sem aprovação da Câmara.
Entre os vereadores, apenas um se manifestou favorável à proposta. A maioria defendeu melhorias na gestão pública sem terceirização e reforçou a necessidade de investimentos, ampliação de leitos e valorização dos servidores.
Ao final, o secretário afirmou que a prefeitura está aberta ao diálogo, mas destacou as dificuldades financeiras enfrentadas pela gestão municipal.


