A autorização federal para Mato Grosso do Sul contratar um empréstimo de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) junto ao Banco Mundial (BIRD), assinada nesta terça-feira (14) em Brasília (DF), marca uma mudança de estratégia na gestão da infraestrutura rodoviária do Estado. O ato ocorreu no Palácio do Planalto, após aval da Assembleia Legislativa concedido em novembro de 2024.
O recurso será destinado ao programa Rodar MS, desenvolvido pelo Escritório de Parcerias Estratégicas (EPE) em conjunto com a Secretaria de Infraestrutura e Logística (Seilog). A proposta prevê um modelo de manutenção contínua e preventiva das rodovias estaduais, com foco em resiliência climática, segurança viária e redução de custos a longo prazo.
Segundo o governador Eduardo Riedel, o projeto deve impactar diretamente mais de 20 municípios, com a requalificação de 730 quilômetros de rodovias no Vale do Ivinhema, incluindo trechos das MS-141, MS-145 e MS-147.
”É um projeto que vai requalificar 730 km de pavimento em rodovias estaduais no Vale do Ivinhema. Mais de 20 municípios serão contemplados com esse modelo inovador de PPP, em que o vencedor da licitação fará a melhoria asfáltica e a manutenção por 10 anos após a restauração”, afirmou.
Riedel destacou ainda que a operação depende de aprovação do Senado Federal para ser efetivada. “Agora que estamos autorizados pela União, que é a avalista, temos que aprovar no Senado em tempo hábil para assinar o contrato com o Banco Mundial”, disse.
Modelo de gestão
O programa adota formatos já utilizados internacionalmente com financiamento de organismos multilaterais, como o Crema (Contrato de Restauração e Manutenção de Rodovias) e o DBM (Design, Build, Maintain). Nesse modelo, a empresa contratada fica responsável não apenas pela execução das obras, mas também pela manutenção e, em alguns casos, pela elaboração dos projetos.
Para o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara, a mudança representa um avanço na forma de gestão da malha viária.
”O Rodar MS representa um avanço importante na forma como o Estado cuida da sua malha rodoviária. Estamos saindo de um modelo reativo para uma atuação planejada, com foco em prevenção, durabilidade e segurança”, declarou.
Já a secretária de Parcerias Estratégicas, Eliane Detoni, explicou que, após o aval federal, o projeto segue agora para análise do Senado. A expectativa é que, após a contratação, o programa tenha cinco anos de implantação e estabeleça um novo padrão de manutenção.
“A finalidade é perpetuar a iniciativa, porque, se você faz uma boa rodovia com um bom modelo de gestão, ao longo dos anos os investimentos serão mais adequados e menos onerosos ao Estado”, pontuou.
Impactos
Além da melhoria da infraestrutura, o Rodar MS prevê efeitos socioeconômicos, com geração de oportunidades, estímulo à descarbonização do transporte e ampliação da segurança no acesso a escolas e serviços essenciais.
Também participaram da assinatura o secretário estadual de Governo e Gestão Estratégica, Rodrigo Perez, parlamentares da bancada federal de Mato Grosso do Sul e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


