Ex-vereador por Campo Grande, Tiago Vargas assumiu uma nova ocupação profissional longe da política. Em vídeo divulgado nas redes sociais nesta terça-feira (15), o ex-parlamentar revelou que atualmente trabalha com a reciclagem de materiais.
A mudança de rotina ocorre ao mesmo tempo em que Vargas passa a cumprir prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica, determinação judicial oriunda de um processo por crimes contra a honra.
Nas imagens, Vargas aparece operando uma prensa para compactar latinhas de alumínio e fardos de papelão. Com as mãos sujas e algumas marcas de cortes que, segundo ele, são frutos do trabalho diário, o ex-vereador respondeu aos questionamentos de seguidores sobre seu afastamento do meio político.
“Todo trabalho dignifica o homem. É melhor ser trabalhador do que mexer nas coisas dos outros”, declarou no vídeo.
O ex-parlamentar também ressaltou que o expediente tem horário para acabar, pois precisa ir para casa e cumprir as determinações da “turma eletrônica”, em referência direta ao monitoramento judicial.
Veja:
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A restrição de liberdade imposta a Vargas tem duração estipulada de um ano e três meses. A medida é consequência de uma condenação por injúria e difamação.
No mesmo processo, a indenização por danos morais que ele deverá pagar sofreu um aumento significativo nas instâncias judiciais, passando do valor inicial de R$ 20 mil para R$ 80 mil.
Em vídeo antes de instalar a tornozeleira eletrônica, Vargas lamentou a decisão e negou qualquer envolvimento com corrupção. Ele classificou a condenação como uma perseguição política promovida pelo “sistema” e por um “grupo criminoso”.
Visivelmente abalado e chorando, o ex-vereador mencionou o esgotamento mental e os pensamentos contra a própria vida que enfrentou após perder a mãe para a Covid-19, em 2021. Contudo, foi categórico ao afirmar que não se arrepende das falas que geraram o processo e que “faria tudo de novo”.
Histórico político e jurídico
Além das sanções relacionadas a este processo, o caminho eleitoral do ex-parlamentar segue fechado. Vargas confirmou no vídeo que está inelegível até 2028, o que o tira definitivamente da disputa nas eleições municipais deste ano.
Essa barreira eleitoral, no entanto, não tem ligação com a atual condenação por injúria. O impedimento político é resultado de sua demissão da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, onde atuava antes de ingressar na política. Ele respondeu a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) por infrações funcionais.
Com a demissão validada pela Justiça a bem do serviço público, Vargas acabou enquadrado nos critérios da Lei da Ficha Limpa. Foi exatamente essa condição jurídica que barrou sua posse como deputado estadual nas últimas eleições e impediu sua manutenção na Câmara Municipal de Campo Grande.


