As denúncias recentes envolvendo atrasos salariais e possíveis irregularidades trabalhistas da empresa Produserv Serviços foram repercutidas na Câmara Municipal de Campo Grande. Durante a sessão desta terça-feira (14), o vereador Maicon Nogueira (PP) criticou a atuação da empresa, responsável pela limpeza e manutenção de unidades de saúde da Capital, e questionou a fiscalização do contrato por parte do município.
A fala ocorreu já no fim da sessão. Ao comentar o tema, o parlamentar destacou o alto valor do contrato, que chega a cerca de R$ 34 milhões anuais, e afirmou que, apesar disso, os serviços prestados não estariam atendendo às necessidades básicas da população.
Segundo o vereador, ele visitou uma unidade de saúde na manhã de ontem e encontrou problemas na limpeza. “Não estava de acordo com o mínimo que se exige de um local que atende pacientes”, afirmou. Ele também mencionou ter recebido vídeos mostrando situações semelhantes em outras unidades, citando a UPA Leblon como exemplo de ambiente com sujeira.
Maicon Nogueira questionou ainda a capacidade de fiscalização do contrato por parte da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). “Como uma empresa que consome R$ 34 milhões de recursos públicos não é fiscalizada pela prefeitura?”, disse. O parlamentar apontou falta de controle sobre itens básicos, como produtos de limpeza e papel higiênico, que, segundo ele, nem sempre chegam às unidades.
Durante o discurso, o vereador também levantou questionamentos sobre a gestão da saúde pública, citando a ausência de equipamentos essenciais em unidades de urgência. Ele mencionou o caso da UPA Santa Mônica, onde, segundo relatou, faltariam itens como monitor e desfibrilador.
As críticas se somam a denúncias feitas por funcionários da própria empresa, divulgadas há duas semanas pelo TopMidiaNews, quando a reportagem foi procurada diariamente por dezenas de trabalhadores indignados na situação. Na ocasião, eles relataram descontos em folha relacionados a empréstimos consignados que não estariam sendo repassados às instituições financeiras, o que teria levado alguns deles a terem o nome negativado.
Além disso, funcionários apontaram atrasos em benefícios como vale-transporte e ticket alimentação, dificuldades para tirar férias. A empresa conta com mais de 400 trabalhadores atuando em Campo Grande.
O contrato entre a prefeitura e a Produserv foi firmado em 2020 e vem sendo renovado desde então, com reajustes que elevaram o valor global para mais de R$ 34 milhões. A empresa é responsável por serviços de limpeza, conservação e higienização em unidades de saúde, além de outras atividades complementares.
Em nota enviada anteriormente à imprensa, a Produserv afirmou que cumpre todas as obrigações trabalhistas conforme a legislação vigente e que não há registro de descumprimento contratual junto ao poder público.
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