quarta-feira, abril 29, 2026

Entenda investigação da PF sobre entrada de malas de avião onde estavam Motta e Ciro Nogueira

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O prefeito confirmou a viagem, mas disse que “cumpriu todos os protocolos”, enquanto Ciro Nogueira não se manifestou.

Entenda o que se sabe sobre o episódio.

QUANDO OCORREU O CASO?

Na noite do dia 20 de abril de 2025, no retorno de uma viagem à ilha caribenha de São Martinho, em um avião particular.

QUEM É O DONO DA AERONAVE PARTICULAR?

O avião pertence ao empresário piauiense Fernando Oliveira Lima, o Fernandin OIG, dono de empresas de apostas online que oferecem jogos como o Fortune Tiger -popularmente conhecido como “jogo do tigrinho”. Ele foi alvo da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Bets.

QUAIS POLÍTICOS ESTAVAM NO VOO?

Além de Hugo Motta e Ciro Nogueira, a PF identificou a presença dos deputados Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), ambos líderes de seus partidos na Câmara. Ao todo, o voo tinha 16 passageiros.

O QUE ACONTECEU NO AEROPORTO, APÓS O RETORNO AO BRASIL?

A aeronave chegou no Aeroporto Executivo Internacional Catarina, em São Roque (SP), na região metropolitana de Sorocaba, por volta das 21h.

A PF relatou que, em um primeiro momento, o piloto José Jorge de Oliveira Júnior, comandante do voo e funcionário da empresa de Fernandin OIG, passou pelo detector de metais. Ele trocou algumas palavras com o auditor fiscal Marco Antônio Canella, retirou duas bagagens que haviam acabado de passar pelo raio-X e, contornando o pórtico, retornou à área restrita do desembarque.

Segundo a PF, até 21h35 todas as bagagens haviam passado pela máquina de raio-X e todos os passageiros haviam sido submetidos à detecção de metais. Porém, por volta das 21h40, ainda de acordo com a polícia, o piloto retornou ao ponto de fiscalização carregando cinco volumes a mais, e nenhuma dessas malas passou pelo raio-X.

COMO REAGIU O AUDITOR FISCAL?

A operadora de raio-X do aeroporto teria questionado Marco Antônio Canella sobre o ocorrido. Segundo a corporação, ele gesticulou com as mãos “expressando banalidade e irrelevância”.

QUEM É O AUDITOR FISCAL ENVOLVIDO NO CASO?

Canella é um auditor lotado no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP). Segundo a PF, ele já foi indiciado em outro processo sob suspeita dos crimes de corrupção passiva e facilitação de contrabando. A PF diz que sua atuação neste caso foi no mínimo irregular e deve ser apurada. Canella não respondeu às tentativas de contato da Folha de S. Paulo.

A QUEM PERTENCEM OS VOLUMES QUE NÃO PASSARAM PELO RAIO-X?

A PF diz que “não é possível afirmar categoricamente a quem os volumes pertencem ou seu conteúdo”. Por isso, segundo a corporação, não há como descartar “a possibilidade de envolvimento de um ou mais passageiros detentores de prerrogativa de foro nos delitos sob apuração”.

O QUE DIZEM OS ENVOLVIDOS NO EPISÓDIO?

Procurado pela Folha de S. Paulo, Motta confirmou que esteve no voo, mas disse que, ao desembarcar no aeroporto, “cumpriu todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira”. A assessoria de imprensa do deputado também afirmou que ele aguardará a manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República).

“Há um procedimento padrão: cada passageiro realiza o desembarque com seus pertences de forma individual”, afirmou Jorge Oliveira. “Sigo esse mesmo padrão, e cada piloto transporta apenas seus próprios itens, de modo que, em eventual fiscalização, responda exclusivamente pelo que carrega. Na empresa, é regra que nenhum membro da tripulação conduza pertences de passageiros, limitando-se aos seus”, continuou.

Ciro Nogueira, Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões não se manifestaram.

QUAIS CRIMES SÃO INVESTIGADOS PELA PF?

O inquérito instaurado pela corporação apura os possíveis crimes de facilitação de contrabando ou descaminho e prevaricação.

EM QUE FASE ESTÁ O CASO NA JUSTIÇA?

Antes de chegar ao Supremo, o processo estava na 1ª Vara Federal de Sorocaba. A primeira movimentação no sistema naquela instância indica que ele foi distribuído em outubro de 2025. Em 18 de março, a juíza Carolina Castro Costa determinou o envio ao STF.

A petição ao tribunal foi protocolada em 13 de abril. Em despacho de sexta-feira (24), o ministro Alexandre de Moraes, sorteado relator, determinou que a PGR se manifeste sobre o processo em até cinco dias.

Leia Também: Tarcísio tem piora na avaliação, mas venceria Haddad em disputa em SP, aponta Genial/Quaest

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