Sônia Barcelá, que no ano passado procurou o TopMídiaNews para denunciar as violências e a tentativa de feminicídio que teria sofrido por parte do ex-companheiro, em Nova Alvorada do Sul, agora aguarda pelo julgamento, que está marcado para o dia 6 de maio. Entretanto, neste meio tempo, a sensação que ela tem é de indignação, pois o ex, suspeito de cometer as agressões contra ela, apareceu em campanhas públicas no mês da mulher e segue “livre, leve e solto”, enquanto ela e outras vítimas de feminicídio precisam se esconder para continuar vivas.
Ela conta sobre a frustração que sentiu ao ver seu algoz participando de campanhas institucionais durante o mês de março – tradicional e conhecidamente – dedicado às mulheres, enquanto ela e outras vítimas seguem em anonimato, longe do município, sob medidas protetivas e em constante estado de vigilância para não entrar na estatística de feminicídio enquanto aguarda os trâmites do processo.
“Por que os papéis estão invertidos?”, questiona. Ela afirma que, enquanto o acusado aparecia em ações públicas, mulheres ligadas ao caso continuavam escondidas por medo.
Entre os relatos, ela cita que uma jovem de 20 anos segue em outro estado, sob medida protetiva; além de outras mulheres que também estariam vivendo em anonimato, incluindo uma mãe e a filha de 12 anos.
“Eu me expus porque o sigilo não me protege, e sim o agressor”, escreveu. Segundo ela, a exposição pública foi uma tentativa de pressionar por respostas e ampliar a discussão sobre a proteção às vítimas.
Agressões sofridas física e psicologicamente
“Em casa era agressão”, relatou. Segundo ela, o comportamento do homem mudava fora do ambiente doméstico. “Ele é essa pessoa na frente das pessoas”, escreveu, ao se referir à imagem pública mantida pelo acusado.
A mulher também afirma que precisou buscar ajuda médica após um episódio envolvendo a morte de um animal de estimação, o que agravou o estado emocional e motivou a busca por atendimento. “Quando ele matou o meu gato de estimação porque estava dormindo procurei ajuda médica”.
Nas mensagens, Sônia relata que utiliza dispositivo com botão do pânico e questiona o papel das instituições públicas diante da situação. Segundo a denunciante, a Prefeitura, a Assistência Social e a Coordenadoria da Mulher de Nova Alvorada do Sul deveriam ter dado mais visibilidade às vítimas, especialmente durante campanhas de conscientização.
O caso de Sônia
O caso ganhou repercussão em junho do ano passado, após a vítima denunciar episódios de violência e afirmar que buscou ajuda antes da escalada das agressões. Conforme relatado anteriormente ao TopMídiaNews, ela disse que procurou apoio institucional, mas não teria recebido acolhimento suficiente para evitar o agravamento da situação.
Na época, a mulher afirmou que convivia com medo constante e que chegou a relatar ameaças e episódios de violência psicológica. Segundo ela, a situação se agravou até resultar em tentativa de feminicídio, o que motivou o andamento de uma ação penal na Justiça.
Ainda conforme o relato, a vítima alegou que o agressor mantinha uma boa imagem pública, fator que dificultava a compreensão da gravidade dos fatos por parte de terceiros. À época, ela decidiu tornar o caso público por acreditar que o silêncio favorecia a continuidade da violência.
O espaço do TopMídiaNews fica aberto para manifestações caso a Prefeitura e/ou secretarias de Nova Alvorada do Sul queiram se pronunciar.


