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Nogueira buscou apoio de Lula mas foi ignorado e se juntou a Bolsonaro

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A PF cumpriu mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira (7) em endereços do congressista no âmbito de nova fase da operação Compliance Zero, que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master.

A suspeita é que Ciro Nogueira tenha recebido quantias operacionalizadas por Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, dono do banco.

O senador nasceu em 1968, em Teresina, no Piauí. Formado em direito pela PUC-RJ, foi deputado federal por quatro mandatos, de 1995 a 2011. A partir de então chegou ao Senado Federal, tendo sido eleito de novo em 2018. Desde 2013, preside o Progressistas.

Com histórico de figurar ao lado do poder, já apoiou e rasgou elogios a Lula (PT). Chegou a chamar o petista de o “melhor presidente da história, principalmente para o Piauí e Nordeste”. Também sempre manteve diálogo com o atual ocupante do Executivo federal.

No passado, também chamou Bolsonaro de “fascista” e “preconceituoso”, mas depois virou um dos seus principais defensores.

Em um dos piores momentos do governo, durante a instalação da CPI da Covid, liderou uma tropa de choque para tentar defender o governo, que havia ficado em minoria na comissão pela falta de coordenação entre Planalto e os líderes do governo.

No entanto, sempre soube escolher suas batalhas. Durante o depoimento do ex-chanceler Ernesto Araújo, muitos notaram a sua ausência, deixando o ex-ministro ser duramente atacado pelos senadores independentes e oposicionistas, sendo apenas defendido por congressistas com menos experiência.

Por outro lado, defendeu ferrenhamente o ex-ministro da Saúde e general Eduardo Pazuello.

Se elogios e defesas públicas são circunstanciais, sinais mais fortes de laços costumam ser representados quando ele presenteia um amigo com a camisa do Ríver do Piauí, time do qual é torcedor fanático e do qual já foi presidente.

Esse foi o gesto definitivo de aproximação do senador com Bolsonaro, em 2020, e também coincidiu com o embarque do centrão no governo.

Em 2021, foi nomeado ministro-chefe da Casa Civil, um dos ministérios mais importantes da Esplanada. A pasta tem a função de organizar e coordenar as ações do governo, assim como atuar na articulação de ministérios.

No ano seguinte, foi alvo de operação da Polícia Federal sob suspeita de ter recebido dinheiro da JBS para que o PP apoiasse a reeleição de Dilma Rousseff (PT) em 2014.

O parlamentar negou ter cometido qualquer irregularidade, e a Procuradoria-Geral da República sugeriu o arquivamento do caso por falta de provas. Ao todo, oito processos contra ele foram arquivados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) com essa justificativa.

Ao fim do governo Jair Bolsonaro, Ciro Nogueira foi porta-voz do anúncio de que o governo faria a transição de governo para o petista, no fim de 2022.

No governo Lula, foi um vocal defensor da saída do PP do governo e tentou articular uma vaga de vice em eventual chapa presidencial de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Frustrada a pretensão, em 2025, o senador foi recebido pelo presidente Lula às vésperas do Natal na Granja do Torto. O pedido veio do próprio Ciro Nogueira, e encontro contou com a participação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Segundo relatos, o líder partidário procurou o petista em busca de um acordo para renovar o mandato de senador pelo Piauí. Um aliado de Ciro Nogueira afirmou que a proposta era para não atrapalharem a candidatura. Em troca, o PP se afastaria de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, o que acabou por não ocorrer.

RELAÇÃO COM BETS E MALAS EM AVIÃO

Ciro Nogueira era um dos políticos no voo em que foram transportadas cinco malas que não passaram pelo raio-x ao chegar no Brasil. Como revelou a Folha de S.Paulo, o caso é investigado pela PF, que comunicou o fato ao STF.

O episódio ocorreu no retorno de uma viagem à ilha caribenha de São Martinho em um avião particular do empresário piauiense Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG, dono de empresas de apostas online que disponibilizam jogos como o Fortune Tiger -popularmente conhecido como “jogo do tigrinho”. Ele foi alvo da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Bets.

Nogueira defendeu o empresário publicamente na CPI e, como mostrou reportagem da revista piauí, viajou no jato particular de Fernandin para fazer turismo em Mônaco.

Ainda de acordo com a publicação, Fernandin OIG, o ex-assessor de Ciro Victor Linhares e o parlamentar realizaram uma triangulação de recursos. O ex-assessor recebeu R$ 625 mil do empresário das bets. No mesmo período, Linhares transferiu R$ 35 mil para a conta pessoal do senador.

Nogueira disse à revista que o valor era o reembolso de uma reserva de hotel em Capri, na Itália, e que os R$ 625 mil foram o pagamento por um relógio de luxo, negociado diretamente entre o empresário e o seu ex-assessor.

Leia também: PF: Ciro Nogueira recebia de Vorcaro mesada de R$ 300 mil, que pode ter chegado a R$ 500 mil

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