Ao ser perguntado se ainda considerava convidar Ciro para ser vice na sua chapa, Flávio afirmou que “nunca falei isso” e que apenas o considerava “um bom perfil” para a vaga.
“Olha, vocês querem me vincular com o Ciro Nogueira, mas o Banco Master é do Lula”, afirmou ele a jornalistas, na saída do documentário “A Colisão dos Destinos”, sobre o seu pai e ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em entrevista à Folha de S.Paulo em junho de 2025, Flávio lembrou que Ciro já havia publicamente demonstrado vontade de ocupar a vaga de vice na chapa bolsonarista. “Já levantou o dedo e acho que tem todas as credenciais para ser.
Mas isso é uma decisão que se toma mais para frente. Depende da composição partidária, depende do perfil que a gente está buscando”, afirmou na ocasião.
Ele também disse à época que o aliado tem “um bom perfil”: “Nordestino, de um partido grande e forte. Teve ali a lealdade ao presidente Bolsonaro (quando foi ministro). Sem dúvida é um nome que está colocado”.
Nesta sexta, Flávio afirmou: “Não é que as pessoas têm proximidade comigo que eu vou ter que responder pelos atos dela, gente, pelo amor de Deus”.
“Já falei várias vezes. (Em relação a) Ciro, são acusações graves e ele tem a sorte de responder a um relator que não vai sacaneá-lo como o Alexandre de Moraes fez com o presidente Bolsonaro. Um relator sério, que é o André Mendonça. Então ele vai se defender das acusações gravíssimas”, afirmou o presidenciável.
Na quinta-feira (7), a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão em endereços de Ciro em uma nova fase da operação Compliance Zero, que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master.
Entre as principais suspeitas da PF estão a de que o senador, que foi ministro da Casa Civil na gestão Bolsonaro, recebia quantias repassadas por Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, dono do banco. Além disso, de acordo com as investigações, haveria o pagamento de outras despesas pessoais do parlamentar, como viagens de jatinho.
Nesta sexta, em uma nota divulgada em suas redes sociais, Ciro afirmou que a operação contra ele foi uma tentativa de manchar sua honra pessoal. “Todo ano político é a mesma coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos”, escreveu.
Ciro é presidente nacional do PP, um dos principais partidos do centrão e que hoje compõe uma federação com o União Brasil. Desde que se lançou ao Planalto, Flávio vem tentando angariar o apoio público do grupo para fazer frente à tentativa de reeleição do presidente Lula.
Em nota à imprensa divulgada ainda na quinta, Flávio afirmou que as informações sobre a operação são graves e disse esperar uma “ampla apuração” do caso, mas não citou diretamente o nome de Ciro.
Nesta sexta, em Florianópolis, Flávio falou com a imprensa na saída da exibição do documentário sobre seu pai. O filme “A Colisão dos Destinos” tem 70 minutos de duração e foi dirigido por Doriel Francisco. A exibição foi reservada a convidados. O documentário foi produzido por aliados do ex-mandatário, que está em prisão domiciliar, condenado por tentativa de golpe do Estado.
Pré-estreias já foram realizadas em outras capitais, e o diretor diz que o lançamento nacional será feito dia 14 de maio.
Neste sábado (9) à tarde, haverá o encontro estadual do PL aberto ao público. A ideia do grupo é fazer um ato em prol das pré-candidaturas do partido, além de Flávio e Jorginho, o ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro e a deputada federal Carol De Toni, ambos pré-candidatos ao Senado por Santa Catarina.


