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Prefeitura faz acordo ‘grátis’ para estudos de PPPs, mas conta é embutida em licitações no futuro

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A Prefeitura de Campo Grande publicou no Diário Oficial desta quinta-feira (14) a justificativa de inexigibilidade de chamamento público para firmar um IPGC (Acordo de Cooperação com o Instituto de Planejamento e Gestão de Cidades), voltado à estruturação de projetos de PPPs (Parcerias Público-Privadas) no município.

O termo, de número 001/2026, será executado pela SEPPE (Secretaria Municipal de Planejamento e Parcerias Estratégicas) e não prevê repasse direto de recursos públicos ao instituto.

Segundo o documento, a parceria tem como objetivo a elaboração de diagnósticos, estudos de viabilidade técnica, econômico-financeira, jurídica e ambiental, além da modelagem de projetos estratégicos em áreas como iluminação pública, resíduos sólidos e energia.

Contratação sem chamamento público

A gestão municipal justificou a inexigibilidade de chamamento público com base na Lei Federal nº 13.019/2014 e em decreto municipal. Segundo o texto, a decisão se apoia na “inviabilidade de competição”, em razão da natureza considerada singular do objeto e da expertise técnica do instituto.

O IPGC foi escolhido para desenvolver os estudos por meio de acordo de cooperação com a prefeitura, que afirma se tratar de uma Organização da Sociedade Civil sem fins lucrativos.

A parceria deve orientar a elaboração de projetos que serão usados em futuras licitações de concessões no município.

Pegadinha

Apesar de o acordo ser formalizado sem custo direto ao município, o modelo de estruturação de PPPs já aplicado em outros municípios é acompanhado de uma “pegadinha”. Ele sempre prevê que os estudos técnicos possam ser posteriormente ressarcidos pela futura empresa vencedora da concessão.

Na prática, o valor investido na fase de modelagem pode ser incluído no contrato da parceria público-privada e repassado à entidade responsável pelos estudos, caso essa previsão conste no edital da licitação.

O mecanismo é utilizado em alguns projetos de concessões para viabilizar a estruturação técnica das propostas antes da licitação e, via portal da transparência, o acordo não foi divulgado completamente pela prefeitura, dificultando a transparência da parceria. 

A reportagem realizou um pedido de acesso a informações sobre o tema e aguarda retorno do município.

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