sexta-feira, maio 15, 2026

Troca de mensagens entre grupo comprova fraude em tapa-buracos: ‘serviço de porco’

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Mensagens obtidas pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) revelam como funcionaria, segundo a investigação, o suposto esquema de fraudes em contratos milionários de manutenção de vias e pavimentação em Campo Grande.

As conversas fazem parte da investigação que embasou a Operação “Buraco Sem Fim”, deflagrada pelo GECOC (Grupo Especial de Combate à Corrupção), e mostram alinhamento entre servidores da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), fiscais e empresários ligados à Construtora Rial Ltda.

De acordo com o MPMS, o grupo atuava de forma estruturada e com divisão de tarefas para fraudar medições de obras públicas e viabilizar pagamentos supostamente superfaturados. A investigação aponta que a organização teria atuado entre 2018 e 2025 em contratos que somam mais de R$ 113 milhões.

Segundo o Ministério Público, o núcleo operacional do esquema funcionava dentro da Sisep. O engenheiro Mehdi Talayeh, apontado como um dos articuladores das fraudes, seria responsável por definir os valores das medições. Já o servidor Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula fazia as inserções nas planilhas de controle. Fernando de Souza Oliveira, gerente de Controle de Medições, aparecia como responsável pelos ajustes necessários para que os números correspondessem ao “acordo ilícito”, conforme descreve a investigação.

As mensagens extraídas de celulares apreendidos mostram que os integrantes discutiam diretamente a liberação de medições e assinaturas de documentos. Em um dos diálogos citados no relatório, Fernando de Souza Oliveira informa a Mehdi Talayeh que Edivaldo Aquino Pereira havia assinado documentos em seu lugar, mas que Rudi Fiorese e Ariel Dittmar Raghiant preferiam aguardar a assinatura do próprio Mehdi para concluir o procedimento. Fernando ainda comenta que precisaria reimprimir os documentos por causa da resistência de alguns servidores em assinar no lugar do fiscal.

(Reprodução/MPMS)

Para os investigadores, a troca de mensagens evidencia o cuidado dos envolvidos para manter o funcionamento do esquema e evitar problemas formais durante a tramitação das medições.

Outro trecho citado pelo MPMS mostra que os envolvidos utilizavam medições de diferentes regiões da cidade para justificar valores inflados. Conforme o relatório, o expediente servia para complementar números e permitir pagamentos acima dos serviços efetivamente executados.

As conversas também apontam a participação direta do então secretário da Sisep, Rudi Fiorese, na definição de valores e pagamentos. Segundo o Ministério Público, ele validava medições superfaturadas e cobrava rapidez na liberação de empenhos às empresas do grupo. Em uma das mensagens destacadas no documento, Fiorese orienta que os valores fossem mantidos nas planilhas “para dar uma jogada fácil aqui”, mesmo sabendo, segundo a investigação, que os serviços não correspondiam ao que estava sendo pago.

(Reprodução/MPMS)

O MPMS ainda afirma que a organização mantinha uma espécie de “engenharia paralela”, envolvendo empresários e servidores públicos. A Construtora Rial aparece como uma das principais beneficiadas pelos contratos investigados. Segundo o órgão, a empresa acumulou contratos e aditivos milionários em obras de manutenção de vias e pavimentação em Campo Grande.

As mensagens revelam ainda preocupação do grupo com a continuidade do esquema. Em um dos diálogos anexados à investigação, Mehdi Talayeh encaminha a Rudi Fiorese um áudio enviado pelo engenheiro Ariel Dittmar Raghiant, no qual ele afirma que, apesar de mudanças na Engenex, empresa também citada nas investigações, “tudo vai ficar do mesmo jeito”.

(Reprodução/MPMS)

A investigação também cita conversas de Edivaldo Aquino Pereira criticando a qualidade dos serviços executados pelas empreiteiras. Em uma das mensagens, ele chega a classificar intervenções como “serviço de porco”. Mesmo assim, segundo o Ministério Público, ele continuaria atuando para validar medições e agilizar processos administrativos ligados aos contratos. Apesar de constar no documento, as conversas de Edivaldo não chegaram a ser anexadas. 

Em outro trecho, Erick aparece finalizando os números, agilizando as medições e mexendo no que poderia ser feito junto com Fernando enquanto troca mensagens com Mehdi, mostrando como ficaram os valores já com as adições solicitadas pelo engenheiro.

(Reprodução/MPMS)

A Operação “Buraco Sem Fim” investiga suspeitas de organização criminosa, fraude em licitações, peculato e lavagem de dinheiro envolvendo contratos públicos de manutenção de vias urbanas e tapa-buracos em Campo Grande. Entre os alvos estão empresários, engenheiros e ex-integrantes da administração municipal.

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