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Pesquisador defende biomarcadores para agilizar diagnóstico de Alzheimer no SUS

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© Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

A avaliação é do pesquisador sueco Kaj Blennow, professor de neuroquímica na Universidade de Gotemburgo e chefe do Laboratório de Neuroquímica Clínica do Hospital Universitário Sahlgrenska, na Suécia. Segundo ele, os biomarcadores podem representar uma mudança de paradigma no acesso ao cuidado.

O neurocientista conversou com a Folha de S.Paulo na segunda edição do Clinical Research Summit Latin America, realizado pelo Hospital Moinhos de Vento nos dias 12 e 13 de maio, em Porto Alegre. O evento discutiu a pesquisa clínica.

“Acredito que eles (biomarcadores) terão uma posição muito importante para fazer o diagnóstico. De forma simples, se você combinar um exame clínico com o teste de Fosfo-Tau 217 (exame de sangue minimamente invasivo), é possível identificar o grupo que tem Alzheimer com 95% de certeza. E também pode excluir a doença com 95% de certeza”, diz Blennow.

O Fosfo-Tau 217 é um teste laboratorial de alta precisão capaz de identificar alterações cerebrais antes do aparecimento dos sintomas de Alzheimer. Disponível no Brasil em alguns serviços da rede privada, o exame é feito por meio de coleta de sangue simples e indicado a adultos com sinais de comprometimento cognitivo leve.

Para o professor sueco, é necessário encarar o diagnóstico preciso e rápido como estratégia fundamental para mudar o tratamento do Alzheimer. “Toda pessoa com uma doença grave tem o direito ao diagnóstico e ao cuidado médico”, afirma.

“Os biomarcadores sanguíneos são uma alternativa mais acessível. Enquanto um PET amiloide, por exemplo, custa cerca de R$ 10 mil, exames de sangue têm potencial para custar cinco vezes menos. Os dados científicos são muito consistentes. Não vejo outra opção além de torná-los acessíveis também aqui”, afirma o especialista.

O projeto de lei 3.210/2024, que propõe a incorporação do exame de sangue PrecivityAD no SUS, está em tramitação na Câmara dos Deputados. O teste identifica biomarcadores associados à doença de Alzheimer e permite o diagnóstico precoce.

O diagnóstico de Alzheimer na rede pública é baseado em avaliações clínicas e neuropsicológicas. Exames de sangue e de imagem (tomografia e ressonância) que também podem ser feitos não diagnosticam o Alzheimer diretamente. Punção lombar para análise do líquor e exames de imagem PET são oferecidos, mas não constam no protocolo clínico da doença.

Em sua apresentação no Clinical Research Summit Latin America, Blennow classificou a evolução dos biomarcadores de Alzheimer nos últimos anos como história de sucesso para a comunidade científica.

O interesse de Blennow pelo assunto surgiu em meados de 1988 na prática clínica. A dificuldade em confirmar a doença, na época, o fez perceber a necessidade de novas estratégias para diagnóstico.

“Era bem difícil diferenciar o Alzheimer de outras condições. Ficou claro que havia a necessidade de ferramentas diagnósticas melhores. Conhecia médicos no Brasil que faziam punções lombares. É o fluido mais próximo do cérebro. E é bem simples fazer um exame. Então começamos com as células do líquor. Testes sanguíneos são mais simples de realizar”, conta.

Atualmente, a Suécia, os Estados Unidos, o Canadá e Japão lideram as pesquisas em Alzheimer.

À reportagem o pesquisador sueco observou que ainda é necessária a educação sobre Alzheimer, tanto para a população em geral quanto para os profissionais de saúde. “Durante muito tempo, as pessoas confundiam envelhecimento, demência e Alzheimer. Ainda há um caminho importante pela frente”, diz. Para ele, a democratização do conhecimento científico será tão importante quanto o avanço dos exames.

Kaj Blennow é pioneiro na descoberta e no desenvolvimento de biomarcadores em fluidos biológicos para doenças neurodegenerativas, especialmente o Alzheimer. Possui mais de 1.000 publicações científicas e mais de 250 mil citações, além de liderar importantes iniciativas internacionais na área de biomarcadores para doenças neurodegenerativas. Foi a primeira vez que Blennow proferiu uma palestra no Brasil.

A repórter viajou a convite do Hospital Moinhos de Vento.

Leia Também: Brasil tem nova opção de tratamento para câncer de mama mais agressivo

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