segunda-feira, novembro 2, 2026

Deolane atuava como caixa do PCC, afirmam investigadores

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Investigadores à frente da operação que culminou na prisão da advogada e influenciadora Deolane Bezerra, suspeita de lavar dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital), afirmam que ela atuava como um espécie de caixa da facção criminosa.

“O crime deposita recursos na figura pública, os valores se misturam a outros com origem lícita e depois retornam ao crime organizado”, disse o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sergio Oliveira Costa, ao explicar como a atuação de Deolane como influenciadora dificultava o rastreio do dinheiro.

Por isso, afirmou Costa, a operação desta quinta-feira (21) tem caráter pedagógico. “Não existe dinheiro fácil”, disse.

O advogado Rogério Nunes, que defende Deolane, disse que assim que se inteirar do caso vai se manifestar.

Os investigadores afirmam que a ligação de Deolane com a transportadora Lado a Lado que seria o braço direito do PCC é o pontapé inicial para aprofundar o elo entre a influenciadora e o crime organizado. Segundo a polícia, indícios obtidos a partir da quebra dos sigilos bancário e fiscal de Deolane já apontam essa relação.

O promotor Lincoln Gakiya apontou dois fatores que evidenciam esse elo entre a influenciadora e a facção.

O primeiro está na atividade de Deolane como advogada. Segundo o promotor, ela atuou para dezenas de faccionados ao longo da carreira e, mais do que isso, é amiga de Alejandro Camacho, irmão do líder do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Gakiya declarou, em entrevista coletiva, que há diálogos e até mesmo foto que ilustram esse vínculo.

Alejandro, que cumpre pena em presídio federal, também foi alvo da operação desta quinta.

O segundo fator, por sua vez, envolve uma relação afetiva. Segundo o promotor, a influenciadora foi durante anos casada com um integrante do PCC que cumpria pena em Junqueirópolis, no interior de São Paulo.

Deolane já chegou a ser presa numa outra ocasião, em 2024, na cidade de Recife, ante a suspeita de lavagem de dinheiro para casas de apostas. Acabou solta ao obter um habeas corpus no Tribunal de Justiça de Pernambuco.

Desta vez, na avaliação do promotor Gakiya, a influenciadora terá mais dificuldade para conseguir revogar sua prisão preventiva. “As provas são robustas”, declarou.

Deolane, segundo as investigações, chegou a abrir 35 empresas num mesmo endereço residencial. Os estabelecimentos, todos fictícios segundo as autoridades, criavam uma espécie de teia de movimentação financeira que dificultava a rastreabilidade dos recursos.

Leia Também: Deolane Bezerra é presa em operação da polícia e do Ministério Público de SP

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