segunda-feira, maio 25, 2026

Detecção de variantes de coronavírus no esgoto pode antecipar alta de internações por Covid

Date:

Share post:

Agora, uma nova pesquisa conseguiu demonstrar que a diversidade genética do Sars-CoV-2 nas redes de esgoto é um melhor preditivo para incidência de casos na população do que a carga viral. Segundo o modelo proposto, há uma forte correlação entre a ocorrência de variantes do vírus nas amostras coletadas e a incidência de novos casos e hospitalizações pela doença registrados em 1 a 2 semanas depois.

O estudo, publicado na revista Science no último dia 14, foi conduzido por Dustin Hill, do departamento de Saúde Pública da Escola Maxwell de Cidadania e Assuntos Públicos de Syracuse (Estados Unidos) e pesquisadores da Universidade de Syracuse, do departamento de Saúde Estadual de Nova York e da Universidade de Albany, todos no estado de Nova York.

Os cientistas analisaram 12.290 sequências do coronavírus obtidas em amostras coletadas na rede de esgoto entre janeiro de 2023 e abril de 2025 em 194 locais no estado de Nova York. A análise buscou não apenas quanto vírus havia nas amostras, mas quão geneticamente diverso ele era, usando diferentes métricas de variabilidade molecular.

De acordo com os autores, a diversidade genética parece refletir melhor a dinâmica real de transmissão do vírus na população. Isso porque a concentração viral no esgoto pode sofrer influência de diferenças individuais na eliminação do vírus pelas fezes, degradação do material genético ao longo da rede sanitária e fatores ambientais, como chuvas.

Segundo Hill, três medidas distintas de diversidade genética mostraram associação mais forte com novos casos. “Ao longo do tempo, a variabilidade genética do vírus aumenta e depois cai, e esse padrão acompanha o número de novas infecções e hospitalizações. Quando a diversidade cresce, mais pessoas adoecem; quando ela cai, as taxas de infecção diminuem”, diz ele.

As análises estatísticas indicaram ainda que o aumento da diversidade genética do vírus no esgoto antecedeu em uma a duas semanas o crescimento de internações por Covid, sugerindo que o método pode funcionar como um sistema de alerta precoce para o agravamento da transmissão da doença.

“Nós já sabíamos que a concentração de vírus no esgoto oferecia uma capacidade preditiva de uma a duas semanas para hospitalizações. Mas a diversidade genética trouxe um sinal ainda mais forte”, diz David Larsen, também do departamento de Saúde Pública de Syracuse e coordenador do projeto.

“A diversidade genética funciona como uma lente para observar não apenas como o vírus evolui, mas também como responde ao mundo humano -às estações do ano, vacinas, tratamentos e circulação de pessoas”, afirma Ian Vasconcellos Caldas, pesquisador brasileiro da Universidade de Syracuse e um dos autores do estudo.

Apesar do potencial, os pesquisadores dizem que a técnica ainda enfrenta barreiras. A principal delas, segundo Hill, é o tempo necessário para processar e sequenciar as amostras, que pode chegar a duas semanas. Além disso, o método exige equipamentos de sequenciamento genético mais caros e complexos do que os utilizados em testes convencionais de PCR.

Na avaliação dos autores, a abordagem pode futuramente ser aplicada também para outros patógenos, como influenza e VSR (vírus sincicial respiratório). “É difícil contar todas as árvores de uma floresta, mas basta uma para saber se ela tem muitas espécies diferentes ou poucas”, diz Caldas.

“Estamos vendo muitos avanços em técnicas de sequenciamento, inclusive abordagens metagenômicas (análise do DNA ambiental), que analisam amostras sem buscar um único patógeno específico”, afirma Larsen. “A diversidade genética pode ajudar não apenas a detectar quais vírus estão circulando, mas também a inferir como a transmissão está acontecendo e se as medidas de controle estão funcionando.”

“Minha esperança é que nosso estudo encoraje pesquisadores a investir mais nessa tecnologia. A literatura científica já sugere que diversidade genética pode ser um elemento importante para prevenção de doenças”, diz Hill.

Inédita, estatística inclui causas indiretas ligadas aos óbitos, como sobrecarga nos sistemas de saúde. Relatório reúne dados de 2020 a 2023 e mostra letalidade maior entre homens, idosos e asiáticos

| 22h36 – 15/05/2026

Bora Ouvir – Total 40 Graus
BORA OUVIR
PROGRAMAÇÃO TOTAL 40 GRAUS
🔴 AO VIVO AGORA
Clique em "Letra" para ver a letra da música atual
Canais Oficiais

Instagram

Siga e acompanha

Seguir no Instagram

YouTube

Inscreva-se no canal

Inscrever-se

TikTok

Siga e veja os vídeos

Seguir no TikTok
Barra Redes Sociais

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

73,500FansLike

Artigos relacionados

Casal troca ameaças com faca e filha de 11 anos chama a polícia para conter os pais em Campo Grande

Um casal foi detido após entrar em vias de fato em frente à filha de 11 anos na...

Câmara convoca sessão que pode cassar mandato de vereadora

  A Câmara de Dourados convocou, para a próxima quinta-feira (29), às 9 horas, a sessão extraordinária para julgamento...

Homem tenta estrangular esposa e a ameaça de morte por motivo banal em Campo Grande

Um homem de 34 anos foi preso em flagrante após agredir a esposa na noite deste domingo (24)...