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Após Trump e Putin, Xi recebe premiê do Paquistão, mediador da guerra no Irã

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A visita marca os 75 anos das relações diplomáticas entre China e Paquistão, mas também reforça a estratégia de Pequim de se apresentar como centro da diplomacia global em meio às principais crises internacionais.

A narrativa construída pelo governo chinês começou com a passagem de Trump, seguiu com a visita de Putin e agora se amplia com a recepção de Sharif, aliado político do presidente americano.

Antes do início da reunião, Xi afirmou que, “apesar das instabilidades do cenário internacional, a China sempre priorizou suas relações com o Paquistão”. Já Sharif defendeu o multilateralismo e destacou a parceria estratégica entre os dois países.

Além da crise no Oriente Médio, um dos principais temas discutidos foi o Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC, na sigla em inglês), projeto de infraestrutura considerado peça central da iniciativa chinesa Cinturão e Rota.

O programa prevê o escoamento de produtos chineses pelo porto de Gwadar, no Paquistão, e é visto por pesquisadores como um dos projetos mais importantes para a economia paquistanesa. Islamabad busca renegociar condições consideradas mais favoráveis dentro do acordo.

Apesar da pauta econômica dominar oficialmente o encontro, a guerra no Irã aparece como pano de fundo das negociações. Há expectativa de que Xi e Sharif tenham discutido especialmente a situação do Estreito de Hormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.

Joshua Kurlantzick, pesquisador do Council on Foreign Relations, afirma que o Paquistão obteve ganhos diplomáticos importantes ao participar das negociações envolvendo o Irã e ao estreitar relações com Washington, mas avalia que ainda há dúvidas sobre a duração desse novo protagonismo.

“A questão mais difícil é saber se Islamabad conseguirá transformar este momento em algo duradouro. E, historicamente, isso não inspira muita confiança”, afirmou.

Nos últimos anos, Sharif intensificou a aproximação com os Estados Unidos. Em setembro do ano passado, o premiê paquistanês e o marechal Asim Munir participaram de uma reunião de alto nível com Donald Trump na Casa Branca.

Ao mesmo tempo, o Paquistão continuou dependendo fortemente da China, inclusive em meio às tensões recentes com a Índia, quando utilizou armamentos chineses durante o conflito.

Segundo Kurlantzick, o encontro em Pequim também funciona como um lembrete de que Islamabad continua profundamente dependente do apoio chinês.

“O Paquistão deve à China cerca de 30% de sua dívida externa, e os armamentos chineses foram fundamentais no recente impasse militar com a Índia. O Paquistão precisa muito mais da China do que a China precisa do Paquistão”, declarou.

Ao receber Vladimir Putin em Pequim após encontro com Donald Trump, Xi Jinping tenta reforçar a imagem da China como centro da diplomacia global em meio às guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.

| 09:30 – 20/05/2026

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