quarta-feira, maio 27, 2026

Depoimento de irmã de Vanessa detalha sonhos e esperança de vida melhor antes de assassinato

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O depoimento da irmã de Vanessa Eugênia Medeiros deve ganhar destaque no julgamento de João Augusto Borges de Almeida, marcado para começar nesta quarta-feira (27), em Campo Grande. A fala de Wesla Kenia Lima Eugenia Prado, irmã e madrinha da pequena Sophie, ajuda a reconstruir os bastidores do relacionamento da vítima com o acusado e revela os sonhos interrompidos da jovem mãe assassinada junto da filha de apenas 10 meses.

Segundo os autos do processo, a motivação dos crimes foi considerada torpe pelo Ministério Público. A denúncia aponta que João Augusto matou Vanessa por ódio e por não aceitar a separação, temendo ainda o pagamento de pensão alimentícia da filha. Já Sophie teria sido assassinada porque o acusado não queria manter as responsabilidades paternas.

No depoimento anexado ao processo, Wesla relata a relação de proximidade com a irmã caçula e descreve Vanessa como uma mulher sonhadora, vaidosa e apaixonada por moda. Ela contou que Vanessa havia se mudado para Campo Grande para estudar e trabalhar, mantendo contato frequente com a família por chamadas de vídeo.

A testemunha também detalha como começou o relacionamento com João Augusto. Segundo ela, Vanessa dizia ter encontrado “o amor da vida dela” quando anunciou a gravidez da filha do casal. A família apoiou a relação, acreditando que os dois estavam felizes com a chegada da criança.

Com o avanço da gestação e as dificuldades financeiras, Vanessa deixou o trabalho por conta dos enjoos e passou a depender mais do companheiro. Wesla contou ainda que chegou a convidar a irmã para voltar a morar em Chapadão do Sul, mas Vanessa recusou porque João queria permanecer perto da própria família. Ela também relatou que a irmã sofria com comentários maldosos da sogra.

O depoimento traz ainda detalhes da rotina da jovem mãe e dos planos para o futuro. Vanessa queria produzir velas artesanais para ajudar na renda da casa e organizava o aniversário de um ano da filha, que teria como tema “Branca de Neve”. “Fazíamos planos e sonhávamos com Sophie indo para escolinha, dando seus primeiros passos”, afirmou Wesla.

A irmã também relembrou o momento em que recebeu a mensagem de João Augusto dizendo que Vanessa e Sophie haviam desaparecido. Horas depois, veio a notícia do assassinato das duas. “Receber essa notícia foi como um soco no estômago”, declarou. Em outro trecho, ela afirma que o acusado era justamente quem deveria “cuidar e proteger” a esposa e a filha.

Para o Ministério Público, os testemunhos reunidos no processo reforçam a autoria do crime. Os autos apontam que colegas de trabalho relataram que João Augusto já demonstrava intenção de matar a companheira e a filha. O delegado responsável pela investigação também confirmou elementos que ligam o acusado aos assassinatos. O nome de Wesla aparece entre as testemunhas que corroboram a versão da acusação.

O crime aconteceu em 26 de maio de 2025 e provocou forte comoção em Campo Grande. Conforme a denúncia, João Augusto matou Vanessa com um golpe conhecido como “mata-leão” e depois esganou Sophie, de apenas 10 meses. Em seguida, colocou os corpos no porta-malas do carro, comprou gasolina e levou mãe e filha até uma área afastada no Bairro Nova Campo Grande, onde incendiou os cadáveres para tentar ocultar o crime.

Os corpos carbonizados foram encontrados no mesmo dia em um terreno na Rua Desembargador Ernesto Borges. João Augusto acabou preso em flagrante enquanto tentava registrar um boletim de ocorrência sobre o suposto desaparecimento das vítimas. Segundo a investigação, ele pretendia simular uma fuga da companheira com a filha.

Durante o interrogatório, de acordo com os autos, o acusado confessou o crime sem demonstrar arrependimento. Aos policiais, afirmou que “dormiu melhor que sempre” porque havia se “livrado de um problema”.

O réu responde por dois feminicídios qualificados e ocultação e destruição de cadáveres. Entre as qualificadoras estão motivo torpe, meio cruel, recurso que dificultou a defesa das vítimas e o fato de Sophie ser menor de 14 anos.

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