A segunda testemunha do julgamento de João Augusto Borges de Almeida trouxe novos detalhes para o caso nesta quarta-feira (27), em Campo Grande. O colega de serviço afirmou que João revelou dias antes do crime que queria matar a companheira Vanessa Eugênia Medeiros e a filha do casal, Sophie Eugênia Borges de Medeiros, de apenas 10 meses. O depoimento reafirma a tese de acusação, de que o crime teria sido planejado.
Antes do início do depoimento, ele pediu que o réu fosse retirado do plenário. Segundo o rapaz, João já havia comentado mais de uma vez sobre a intenção de cometer o crime, mas ninguém acreditou que ele realmente colocaria o plano em prática.
Conforme relatado, João perguntou ao colega se ele “fazia o corre”, em referência a matar pessoas, afirmando que queria assassinar Vanessa porque ela “não deixava ele fazer nada”. No dia seguinte, repetiu a pergunta sem que fosse levado a sério.
No dia do crime, a testemunha afirmou que o réu saiu mais tarde para o almoço, uma vez que costumava sair sempre às 11h, demorou para retornar ao trabalho e, quando voltou, disse apenas: “tá feito”. Segundo o jovem, o acusado estava com os dedos machucados, avermelhados e apresentava arranhões no pescoço.
O dia seguiu normalmente, apesar das alegações; porém, já durante o final da tarde, João insistiu para que o colega ajudasse a ‘desovar’ os corpos. Enquanto o jovem estava fazendo tatuagens, o acusado ligava e mandava mensagens dizendo que os corpos estavam dentro do carro e “já estavam fedendo”.
Durante as conversas antes do crime, a testemunha afirmou ainda que chegou a perguntar sobre o destino da bebê, momento em que ouviu o réu afirmar que “ela iria também”. Mesmo achando que tudo não passava de uma brincadeira, o rapaz disse que chegou a se oferecer para ficar com a criança caso o acusado matasse apenas Vanessa, mas ouviu que João estava de “saco cheio” e pretendia matar as duas vítimas para acabar logo com o problema.
O ex-colega relatou que João teria procurado outras pessoas para ajudar no crime, dizendo que queria matar a mulher e a filha, mas ninguém levou as ameaças a sério. Segundo ele, o acusado também prometeu entregar o carro caso recebesse ajuda para ocultar os corpos.
Durante o depoimento, o colega de trabalho afirmou que João dizia ter o “plano perfeito” e alegava viver um relacionamento aberto com Vanessa, embora os colegas nunca tivessem visto o acusado com outra mulher além dela. Uma das motivações citadas por João seria o fato de Vanessa reclamar do tempo que ele passava jogando futebol e videogame.
Após descobrir o crime, as mensagens enviadas por João ao colega foram mostradas ao gerente da empresa onde trabalhavam, momento que a polícia foi acionada e ele acabou se tornando uma das principais testemunhas do caso.
Mais cedo, a primeira testemunha do júri, a irmã de Vanessa, relatou que o relacionamento parecia normal para a família no início, mas afirmou que João tinha comportamento controlador. Ela contou que o acusado exigia chegar em casa e encontrar “bolo e café quentinho”, enquanto Vanessa se esforçava para aprender a cozinhar para agradá-lo. Também relatou uma briga anterior do casal, quando João teria demonstrado interesse em se separar para ficar com outra mulher.
João responde por duplo feminicídio qualificado e ocultação de cadáver. Segundo a denúncia, ele matou Vanessa com um golpe conhecido como “mata-leão” e depois esganou a filha do casal antes de carbonizar os corpos em uma área afastada de Campo Grande, em maio de 2025.

