domingo, setembro 13, 2026

João muda versão, nega planejamento e diz não se lembrar de ocultação dos corpos: ‘perdi o controle’

Date:

Share

O depoimento de João Augusto Borges de Almeida no júri popular realizado nesta quarta-feira (27), em Campo Grande, foi marcado por contradições, alegações de perda de controle e tentativas de afastar a tese de premeditação sustentada pela acusação. Réu pelo assassinato da companheira, Vanessa Eugênia Medeiros, e da filha do casal, Sophie Eugênia Borges de Medeiros, de apenas 10 meses, ele afirmou que matou as vítimas após “perder o controle” durante uma discussão.

Durante o interrogatório, João declarou que o crime aconteceu depois que Vanessa teria lhe dado um tapa no rosto. Segundo ele, aquela teria sido a primeira vez que apanhou na cara. “Foi perda de controle”.

Ao ser perguntado pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos sobre o motivo de também ter assassinado a bebê Sophie, João voltou a alegar descontrole emocional. “Foi falta de controle”, respondeu de forma curta.

O magistrado então questionou se o acusado apresentava algum problema mental. João respondeu que não sabia, mas disse ter passado por psicólogo e psiquiatra durante a adolescência, embora não se lembrasse do motivo. Em seguida, afirmou que “pode ter problema mental”, mas que desconhece qualquer diagnóstico.

João também negou ter planejado os assassinatos e afirmou que as testemunhas mentiram ao relatar que ele dizia querer matar Vanessa e a filha. Segundo ele, declarações dadas anteriormente teriam sido resultado de um interrogatório “exaustivo”, no qual teria sido induzido a responder determinadas coisas.

Perda de memória

A versão apresentada no júri entrou em conflito com depoimentos anteriores e com as falas das testemunhas ouvidas ao longo da manhã. O assistente de acusação releu trechos da confissão prestada à polícia, nos quais João descrevia detalhadamente a dinâmica do crime, fatos que agora alegou não recordar.

A acusação também confrontou o réu sobre a suposta agressão de Vanessa. Na delegacia, João havia afirmado que não sofreu qualquer ataque da companheira antes do crime. Já no júri, passou a sustentar que o tapa teria desencadeado a perda de controle.

O réu alegou ainda que não se lembra do que aconteceu após ocultar os corpos. Segundo ele, só teria “acordado” no dia seguinte, ainda dentro do carro, estacionado em frente à própria casa, com as mãos no volante.

Durante a sessão, imagens de câmeras de segurança de um posto de combustíveis foram exibidas no plenário. Questionado sobre as gravações, João afirmou que “não dá para ter certeza” de que seria ele nas imagens.

A promotoria questionou se a suposta amnésia apresentada pelo acusado surgiu apenas durante o julgamento ou se ele também havia demonstrado falta de memória em depoimentos anteriores.

Mais cedo, uma das principais testemunhas do processo, ex-colega de trabalho do acusado, afirmou que João comentou dias antes do crime que queria matar Vanessa porque ela “não deixava ele fazer nada”. O rapaz também relatou que o réu dizia ter um “plano perfeito” e tentou conseguir ajuda para ocultar os corpos.

Já a irmã de Vanessa afirmou ao júri que o acusado apresentava comportamento controlador dentro do relacionamento, exigindo chegar em casa e encontrar “bolo e café quentinho”, enquanto a vítima tentava aprender a cozinhar para agradá-lo.

João responde por duplo feminicídio qualificado e ocultação de cadáver. Segundo a denúncia do Ministério Público, ele matou Vanessa com um golpe conhecido como “mata-leão”, esganou a filha do casal e depois carbonizou os corpos em uma área afastada do Bairro Nova Campo Grande, em maio de 2025.

Share
Canais Oficiais

Instagram

Siga e acompanha

Seguir no Instagram

YouTube

Inscreva-se no canal

Inscrever-se

TikTok

Siga e veja os vídeos

Seguir no TikTok

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Barra Redes Sociais
78,200FansLike

Artigos relacionados

Consórcio de prefeituras que teve advogado preso cancela licitação após auditoria do TCE-MS

Tribunal de Contas de MS constatou irregularidades em um edital de licitação criada pelo Consórcio Público de Desenvolvimento...

Após assassinato, moradores são ameaçados e não ajudam nem a polícia no Jardim Leblon (vídeo)

Durante investigação policial sobre o assassinato de um homem ainda não identificado na noite deste sábado (12), moradores...

PM morto com tiro no peito havia sido denunciado pela filha por estupro em Campo Grande

O tenente-coronel da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul que foi encontrado morto com um tiro no...

Médica desvia de cachorro e derruba poste de energia em Maracaju (vídeo)

Uma médica sofreu um acidente na manhã deste sábado (12) após tentar desviar de um cachorro na Avenida...