Após um dia inteiro de julgamento no Fórum de Campo Grande, João Augusto Borges de Almeida foi condenado a 67 anos e 6 meses pelos assassinatos da companheira Vanessa Eugênia Medeiros, de 23 anos, e da filha do casal, Sophie Eugênia Borges de Medeiros, de apenas 10 meses. O caso, ocorrido em maio de 2025, provocou comoção em Mato Grosso do Sul e ganhou repercussão nacional pela brutalidade dos crimes.
João foi julgado por duplo feminicídio qualificado e ocultação de cadáver. Durante o júri popular, o Ministério Público sustentou que os assassinatos foram premeditados e marcados por extrema crueldade. Já a defesa tentou afastar parte das qualificadoras e argumentou que o acusado teria agido após “perder o controle”.
Ao longo da sessão, testemunhas reforçaram a versão da acusação de que João já comentava sobre matar Vanessa e a filha dias antes do crime. Um ex-colega de trabalho afirmou que o acusado dizia ter um “plano perfeito” e chegou a pedir ajuda para “desovar” os corpos. Segundo o depoimento, João também afirmou que queria matar Vanessa porque ela “não deixava ele fazer nada”.
A irmã de Vanessa também emocionou o plenário ao relatar que a jovem tentava agradar o companheiro e fazia esforço para aprender a cozinhar porque João exigia chegar em casa e encontrar “bolo e café quentinho”.
Durante o interrogatório, João negou que tenha planejado os crimes e alegou ter perdido o controle após receber um tapa no rosto da companheira. Ele também afirmou ter lapsos de memória sobre os momentos após os assassinatos, versão contestada pela acusação, que relembrou a riqueza de detalhes apresentada pelo réu na confissão dada à polícia logo após a prisão.
O crime
Segundo as investigações, Vanessa foi morta dentro da residência do casal com um golpe conhecido como “mata-leão”. Em seguida, João matou a própria filha, Sophie, de apenas 10 meses, por esganadura.
Após os assassinatos, ele voltou normalmente ao trabalho e, horas depois, colocou os corpos no porta-malas do carro. Conforme a denúncia, João comprou gasolina em um posto de combustíveis e levou mãe e filha para uma área afastada do Bairro Nova Campo Grande, onde ateou fogo nos cadáveres para tentar ocultar o crime.
Os corpos carbonizados foram encontrados na noite de 26 de maio de 2025 em um terreno na Rua Desembargador Ernesto Borges. Um detalhe que chamou atenção da perícia foi o fato de a bebê permanecer sobre o corpo da mãe mesmo após a carbonização.
João Augusto acabou preso enquanto tentava registrar um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento de Vanessa e Sophie. Durante a investigação, segundo a polícia, ele confessou os crimes com frieza e afirmou que havia “se livrado de um problema” e que “dormiu melhor” após os assassinatos.

