Presa por fingir ser uma adolescente de 12 anos, Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, já tentou aplicar o mesmo golpe em Campo Grande há cerca de 3 anos.
Conforme o boletim de ocorrência, obtido pela reportagem, Amanda passou pela Capital sul-mato-grossense em 3 de novembro de 2023. Na ocasião, ela chegou até uma unidade de acolhimento institucional para crianças e adolescentes, localizada no Bairro Vilas Boas, dizendo chamar-se ‘Gabrielly’.
A mulher então informou à assistente social que possuía 13 anos, tendo nascido em 14/10/2010 na cidade de Feira de Santana (BA). Porém, os funcionários da instituição não localizaram dados sobre ela no sistema ou qualquer tipo de documento.
Suspeitando que ela estaria mentindo, passaram a fazer buscas na internet e viram vários vídeos de jornais do Rio de Janeiro informando que Amanda estaria aplicando golpes parecidos. Por conta disso, a Polícia Militar foi acionada e encaminhou a mulher para Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol.
Na unidade policial, Amanda alegou ter ‘problemas mentais’. Ela afirmou ainda ser andarilha e detalhou ter chegado a Campo Grande em 14 de outubro daquele ano, recebendo ajuda de um casal que a encaminhou até a Casa da Mulher Brasileira, onde contou que era menor de idade e o Conselho Tutelar foi acionado, a encaminhando para o abrigo, quando foi descoberta.
Diante da situação, o caso acabou sendo registrado apenas como falsa identidade, com base no Artigo 307 do Código Penal Brasileiro. Amanda foi liberada após passar pela delegacia.
Prisão em Santa Catarina
Amanda Maria Souza de Oliveira, hoje com de 37 anos, foi presa em flagrante em Joinville (SC) após ser descoberta vivendo há cerca de 14 meses sob uma identidade falsa e se passando por uma adolescente de 12 anos chamada “Gabriele”. Ela foi autuada pelos crimes de estelionato e falsa identidade.
Segundo a Polícia Civil, Amanda foi acolhida informalmente por uma família da cidade, que acreditava estar ajudando uma criança em situação de vulnerabilidade. Para sustentar a fraude, ela alegava ter transtorno do espectro autista e outros problemas de saúde, além de adotar comportamentos infantis, como usar mamadeira, chupeta e um objeto de apego para dormir.
As investigações apontaram que ela evitava ser matriculada em uma escola, entrando em pânico sempre que o assunto era mencionado. Também recusava qualquer processo formal de adoção, alegando que não queria que o suposto pai biológico descobrisse onde estava.
Durante o período em que viveu com a família, Amanda recebeu diversos benefícios. Os responsáveis custearam tratamento para obesidade com o medicamento Mounjaro (tirzepatida), além de realizarem uma festa para comemorar o suposto aniversário de 12 anos da falsa adolescente.
Após ser presa na terça-feira (2), Amanda confessou os crimes em depoimento e foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville, onde permanece à disposição da Justiça. Ela completará 38 anos em 10 de junho.
A polícia também apura um histórico de golpes semelhantes praticados pela suspeita em outros estados. Há registros de ocorrências em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e Ceará.
Um dos casos investigados ocorreu em 2023, em Nova Iguaçu (RJ), quando Amanda teria se apresentado como uma adolescente chamada “Maria Eduarda”. Na ocasião, ela afirmou ter sido vítima de exploração sexual e cárcere privado, sensibilizando duas mulheres que passaram a ajudá-la financeiramente, pagando aluguel, roupas, alimentação e outros gastos. O prejuízo estimado foi de cerca de R$ 2 mil. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, os crimes relatados por ela nunca aconteceram.

