O que deveria ser a solução dos problemas de um casal de campo-grandenses se tornou uma bola de neve. Precisando de dinheiro, um homem de 40 anos e sua esposa de 39 decidiram pegar um empréstimo no que parecia ser uma empresa financeira.
Todo o processo parecia ser confiável; por meio de um anúncio nas redes sociais, uma suposta empresa de empréstimos oferecia valores acessíveis de parcelas para pessoas com trabalho CLT. Achando que seria uma boa oportunidade, o casal resolveu realizar o empréstimo. A suposta empresa parecia confiável, uma vez que foi necessário preencher um longo formulário e enviar documentos que comprovassem renda, conforme conta a mulher.
“Os anúncios aparecem nas redes sociais, e você precisa fazer todo o cadastro, inclusive enviando documentos e o holerite do trabalho. Depois disso, você recebe as possíveis parcelas do pagamento e ainda fala com uma atendente por ligação. Tudo parecia confiável”.
Após realizar o empréstimo, o casal não teve problemas, uma vez que as parcelas eram pagas em dia; porém, o que ambos não esperavam era que seriam demitidos em dias seguidos. A mulher de 39 anos foi demitida no dia 30 de março e o seu esposo no dia 1.º de abril.
“Primeiro, o meu esposo fez o empréstimo para pagar as contas, mas ficamos desempregados e eu fiz novos empréstimos para pagar as dívidas anteriores. Isso tudo foi virando uma bola de neve e agora não estamos conseguindo pagar, além de estarmos sendo ameaçados de invadirem a nossa casa e baterem na gente em frente aos nossos filhos”.
Depois de algum tempo de atração das parcelas, o casal descobriu que as empresas que pareciam ser confiáveis, na verdade, se tratavam de uma rede de agiotagem. Sem emprego, o homem alugou uma motocicleta para trabalhar como motorista de aplicativo e a mulher passou a fazer diárias de cuidadora, mas o valor recebido pelos dois não é suficiente para arcar com as dívidas e necessidades básicas da família.
“A minha água está quase cortando e a luz também, porque não temos como pagar; todo o nosso dinheiro está sendo usado para pagar essas dívidas. Estamos sem saída; eu e o meu marido só não fazemos nada com a gente porque temos filhos para criar. Ele já me disse que toda vez que está na moto pensa em jogar a moto na frente de algum caminhão porque está desesperado, mas aí pensa na gente e nos filhos e desiste”.
Segundo a mulher, a rotina da família foi tomada pelo medo de que a qualquer momento algo aconteça. A mulher afirma que procurou a polícia para denunciar as ameaças, mas que, como nada aconteceu além das mensagens recebidas, não seria possível fazer algo.
Sem saber mais o que fazer, a mulher e a sua família estão enfrentando momentos de desespero, temendo que algo seja feito contra algum deles. “Tenho dois filhos, um de oito anos e um de 16, e é o mais velho que mais me preocupa, porque eu não consigo estar sempre com ele. Nós estamos vivendo com medo”.

