Há algum tempo a presença de câmaras nos óculos inteligentes Meta Ray-Ban é olhada com desconfiança pelos usuários, que receiam que a gigante tecnológica liderada por Mark Zuckerberg possa lançar sistemas de reconhecimento facial que coloquem em causa a privacidade de pessoas que se cruzem com os detentores deste gadget.
Agora a revista Wired destaca que o aplicativo dos óculos Meta Ray-Ban é equipado com um sistema de reconhecimento facial e que é capaz de identificar pessoas a partir das imagens e vídeos capturados com os óculos.
A publicação diz ter investigado o aplicativo e encontrou na Inteligência Artificial da empresa – a Meta AI – um recurso ainda a ser lançado com o nome “NameTag”. O recurso não é apenas capaz de reconhecer faces em fotos e vídeos capturados com o Meta Ray-Ban, mas também de avisar os usuários quando um rosto conhecido estiver presente.
Desde o começo de 2026 que circulam rumores sobre o desejo da Meta de integrar tecnologia de reconhecimento facial nos seus óculos inteligentes, com a perspectiva a até já ter merecido oposição sob forma de uma carta aberta – assinada por mais de 70 organizações diferentes.
Nesta carta aberta foi pedido que a empresa “interrompa imediatamente e repudie publicamente” a integração de reconhecimento facial nos seus óculos inteligentes. Mais ainda, na carta assinada por estas organizações é referido que não é possível confiar na Meta para incorporar em segurança esta tecnologia nestes gadgets.
“As pessoas devem poder deslocar-se na sua vida cotidiana sem medo que ‘stalkers’, golpistas, abusadores, agentes federais e ativistas de todo o espectro político estejam, de forma silenciosa e invisível, verificando as suas identidades e potencialmente a cruzarem os seus nomes com uma grande variedade de dados disponíveis sobre ela, como relacionamentos, saúde e comportamentos”pode ler-se nesta carta.
Quanto ao “NameTag” avistado pela revista Wired, a funcionalidade ainda não está operacional e, em relação à investigação, a Meta afirmou que, a ser anunciada, esta capacidade seria apresentada com “transparência total”.
“Nada foi lançado para os consumidores e não foi tomada qualquer decisão final sobre o que faremos, se é que faremos alguma coisa”pode ler-se no comunicado da Meta. “Se decidirmos lançar alguma coisa, adotaremos uma abordagem ponderada e faremos com transparência total. Uma decisão sobre a qual podemos ser claros – não estamos criando uma base de dados central de reconhecimento facial”.
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