Secretário pediu exoneração após três meses de uma denúncia de um jovem de 22 anos.
O Diário Oficial da Prefeitura de Campo Grande trouxe, em edição extra, a nomeação da nova secretária executiva de Juventude da Capital. Desta vez, a secretaria terá uma mulher no comando.
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“Nomear Maithe Medina Fernandes Lira de Mesquita, matrícula n. 428361, para desempenhar o cargo de Secretária Executiva da Juventude, símbolo AGP-2, da Prefeitura Municipal de Campo Grande, de acordo com o estabelecido no art. 67, inciso V, da Lei Orgânica do Município, com efeito a partir de 2 de junho de 2026”, diz a publicação.
Maitê ocupará o lugar de Paulo Lands, que pediu exoneração após três meses de uma denúncia contra ele. Um jovem de 22 anos registrou um boletim de ocorrência contra ele por “estupro de vulnerável”. Na ocasião, a prefeitura informou que abriu um processo administrativo para verificar o que faria. Antes, divulgou uma nota dizendo que nenhuma medida precipitada seria adotada e qualquer providência necessária seria tomada no tempo devido.
O caso
O jovem relatou que trabalhava na prefeitura e que Lands era seu superior hierárquico, tendo iniciado convivência estritamente profissional. Ele afirma que no mês de julho de 2025 o secretário lhe ofereceu carona até sua residência e durante o trajeto, quando estavam sozinhos no interior do veículo, o autor teria passado a mão nas partes íntimas, causando-lhe constrangimento.
O rapaz diz ainda que não reagiu no momento por receio, em razão da relação de subordinação existente. Segundo o jovem, após o ocorrido, o autor passou a enviar mensagens com figurinhas e conteúdo de conotação sexual, insinuando relacionamento homoafetivo, insistindo mesmo após a vítima afirmar expressamente que não desejava qualquer envolvimento e que seria hetero.
O homem disse ainda que, no ambiente de trabalho, quando estavam em locais sem a presença de outras pessoas, o autor tocava seu corpo, passava a mão e forçava abraços.
“Afirma também que o autor proferia frases de cunho sexual, como: Que dia você vai me penetrar, causando-lhe constrangimento e abalo emocional”.
O homem disse ainda que no dia 12/12/2025 ocorreu a confraternização de final de ano da empresa, ocasião em ingeriu muito álcool, ficando em estado de vulnerabilidade.
Segundo o boletim, ao término da confraternização, Lands ofereceu novamente carona à vítima, que afirma estar embriagado, tendo inclusive necessitado de ajuda para ser colocado no interior do veículo do suspeito.
O jovem diz ainda que o autor voltou a fazer investidas, sugerindo que poderiam “ficar como casal nas férias”. Segundo boletim, diante da negativa da vítima, o autor teria declarado: “Eu consigo qualquer coisa, pois eu sou seu chefe, eu sou secretário da juventude”.
O homem diz que em vez de conduzi-lo à sua residência, o autor levou-o para sua própria casa, informando que mora sozinho. Ao chegarem ao local, segundo a vítima, o autor passou a retirar suas roupas sem seu consentimento e, em seguida, praticou sexo oral.
“A vítima relata que não consegue se recordar de tudo o que aconteceu, pois estava muito embriagado. Ao acordar, percebeu que estava nu na cama com o suspeito, que o abraçava naquele momento. A vítima diz que levantou-se e foi até a cozinha para beber água, tentando compreender o que havia ocorrido. Em seguida, passou a procurar seu celular para solicitar um transporte por aplicativo (Uber)”, diz o boletim.
O jovem diz ainda que após conseguir o que queria, o suspeito passou a manter a vítima sob vigilância no ambiente de trabalho, mas sem enviar mensagens insistentes.
O rapaz afirma que no dia 16/01/2026 precisou justificar-se ao chefe por estar atrasado e perguntou se ainda poderia comparecer ao serviço. O vereador respondeu que ele deveria ir até sua residência, afirmando que lhe daria carona novamente.
A vítima relata que foi de transporte por aplicativo (Uber) até a casa do suspeito, com receio de receber falta no serviço. Ao chegar, o suspeito voltou a insistir e o beijou na boca. Ele diz que virou o rosto. Nesse momento, o suspeito passou a elogiar seu peitoral. Em seguida, levou a vítima até o quarto, deitou-o na cama e passou a acariciar seu órgão genital. A vítima afirma que não teve ereção, reiterando que não queria e que ambos estavam atrasados para o trabalho. O suspeito, então, declarou: “Eu sou o secretário e chego a hora que eu quiser, não se preocupe com isso”.
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