O caso envolvendo um policial militar e um motoboy, que ganhou grande repercussão em Campo Grande após a divulgação de um vídeo com ameaças durante uma entrega, ganhou novos desdobramentos. Enquanto o agente admite ter se excedido durante a discussão, a Polícia Civil também investiga o entregador por suposta incitação ao protesto que terminou com danos à residência do policial.
Em entrevista ao TopMídiaNews, o policial Luiz Guilherme Rodrigues Villanueva, de 51 anos, confirmou que aparece no vídeo ameaçando o trabalhador após uma entrega realizada em sua residência, na Vila Sobrinho. Nas imagens, que circularam nas redes sociais, ele diz ao entregador que o agrediria caso voltasse a buzinar em frente ao imóvel.
Segundo Luiz Guilherme, a fala ocorreu em um momento de irritação e não representava uma intenção real de partir para a agressão. Ele afirma que o problema não foi o fato de o entregador buzinar, mas a intensidade e a insistência do acionamento.
De acordo com o policial e sua esposa, o motoboy teria utilizado a buzina de forma excessiva, a ponto de chamar a atenção de moradores da rua. Uma vizinha idosa relatou ter saído à frente da residência para verificar o que estava acontecendo diante do barulho.
Ainda conforme a versão apresentada pelo casal, o entregador teria iniciado a gravação apenas após parte da discussão já ter acontecido. Eles alegam que o trabalhador mudou de comportamento ao perceber que estava filmando a situação e sustentam que houve uma tentativa de registrar apenas parte do conflito.
Apesar da justificativa, Luiz Guilherme reconhece que se excedeu verbalmente. Ele afirma, porém, que não tinha intenção de agredir o trabalhador e destaca que foi receber a entrega desarmado.
A repercussão do vídeo mobilizou motociclistas da Capital. Na madrugada de domingo (8), dezenas de entregadores se reuniram em frente à residência do policial para um buzinaço de protesto.
Segundo o policial, o ato extrapolou a manifestação pacífica. Ele relata que participantes soltaram rojões, lançaram bombinhas para dentro do quintal da casa e causaram danos ao imóvel. O morador afirma que tanto ele quanto a esposa ficaram abalados emocionalmente após o episódio.
Moradoras da região também relataram momentos de tensão durante o protesto. Uma vizinha de 68 anos afirmou ter acreditado que estava ocorrendo um tiroteio devido à intensidade dos barulhos. Ela contou ainda que sua irmã, de 78 anos e hipertensa, passou mal durante a manifestação e precisou tomar medicação.
Além da investigação sobre as ameaças registradas no vídeo, um boletim de ocorrência foi registrado, apontando possíveis crimes de ameaça, dano, dano qualificado e incitação ao crime. Conforme o registro policial, o entregador de 33 anos teria divulgado o vídeo da discussão nas redes sociais e compartilhado informações que permitiram a identificação do endereço do policial.
No depoimento prestado à Polícia Civil, ele confirmou ter publicado o vídeo após se sentir ameaçado, mas negou participação nos atos de vandalismo. Ele afirmou que apenas compartilhou o conteúdo e que outros motociclistas passaram a pedir o endereço do morador, sendo posteriormente divulgado o comprovante da entrega. O entregador sustenta que não esteve envolvido na confusão registrada durante o protesto.
Já Luiz Guilherme relatou à polícia que cerca de 15 motociclistas participaram da manifestação, acionando buzinas, chutando o portão da residência e lançando fogos de artifício contra o imóvel. O portão teria sido derrubado sobre um veículo estacionado na garagem, causando danos materiais.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que deverá analisar vídeos, imagens, publicações em redes sociais e demais provas apresentadas pelas partes para esclarecer tanto a ameaça registrada durante a entrega quanto a eventual responsabilidade pelos atos praticados durante o protesto.

