A repercussão da invasão e depredação de uma escola municipal em Caracol, a 370 quilômetros de Campo Grande, ganhou novos desdobramentos após denúncias de que um radialista da cidade, pai de um dos adolescentes envolvidos no caso, estaria usando seu programa de rádio e grupos de WhatsApp para rebater críticas feitas por professores e moradores.
Segundo relatos encaminhados ao TopMídiaNews, profissionais da educação teriam se sentido intimidados pelas declarações.
De acordo com a denúncia, o comunicador teria reagido a comentários feitos nas redes sociais após a divulgação do caso. Uma moradora afirmou à reportagem que muitas pessoas evitam se manifestar publicamente por receio de represálias.
“Todo mundo tem medo dele. Durante o programa, ele falou novamente um monte de coisas”, relatou a denunciante.
Em um dos programas de rádio, o radialista confirmou que seu filho participou da invasão da escola, mas minimizou a situação ao afirmar que os envolvidos eram apenas crianças.
“São crianças. Eu já fui criança e confesso para vocês, já aprontei coisas maiores que isso. Acho que toda pessoa que teve uma infância livre fez uma arte”, declarou durante a transmissão.
Ele também criticou professores que, segundo ele, teriam chamado os estudantes de “marginais” e “vândalos”. “O que me espantou mais foi ver professores condenando essas crianças. São crianças, pessoal. O que tem que ser feito é apurar e os pais pagarem esse prejuízo”, afirmou.
Em outro trecho, o radialista voltou a dizer que não aceitava a forma como alguns profissionais da educação teriam tratado os adolescentes. “Eu nunca vou aceitar vir um professor chamar um aluno de marginal, de vândalo. Isso é um absurdo”, declarou.
As falas, porém, passaram a preocupar moradores e professores após menções consideradas intimidatórias. Em uma das transmissões, o comunicador afirmou que algumas pessoas não teriam moral para criticar os estudantes.
“Se você puxar a vida lá atrás dessa pessoa ou de pessoas ligadas ao círculo dela, é um desastre”, disse ao comentar publicações feitas por profissionais da educação. Em outro momento, ele repetiu a declaração. “Se você puxar a capivara de pessoas do círculo familiar, até da própria pessoa, você encontra coisa muito pior”, afirmou.
Além dos programas de rádio, áudios compartilhados em grupos de WhatsApp também geraram repercussão. Em uma das gravações atribuídas ao radialista, ele eleva o tom ao responder críticas.
“Agora vir professor, uns babacas aí de primeira linha, achar que pode chamar uma criança de marginal? Marginal o caralho. Estamos falando de crianças. Aí não. Aí vão pro pau, vão pra cima”, disse.
Segundo a denúncia enviada ao TopMídiaNews, o comunicador também teria compartilhado figurinhas com imagens de armas em grupos de WhatsApp.
Apesar do tom adotado nas manifestações, o radialista negou ter feito ameaças. Durante o programa, afirmou que respeita os professores e que suas críticas são direcionadas apenas a uma minoria. “Não ameacei ninguém. Nunca ameacei ninguém. Respeito o trabalho dos professores, da grande maioria”, declarou.
Ele também defendeu que os pais dos adolescentes arquem com os prejuízos causados pelos danos na escola. “Os pais têm que pagar o prejuízo e ponto final. Tem que pagar e acabou”, afirmou.
O caso ocorre após um grupo de adolescentes invadir uma escola municipal de Caracol durante o fim de semana. Conforme divulgado anteriormente, os estudantes entraram no prédio, utilizaram equipamentos da cozinha, acionaram extintores e provocaram danos em diferentes áreas da unidade, mobilizando a Polícia Civil, o Conselho Tutelar e a Secretaria Municipal de Educação.
Até o momento, não há confirmação de registro policial relacionado às supostas ameaças denunciadas por professores e moradores.
Em entrevista ao TopMídiaNews, o radialista negou ter feito ameaças e afirmou que suas declarações foram distorcidas. Segundo ele, sua crítica não foi direcionada à categoria dos professores, mas a dois profissionais que, supostamente, teriam chamado os estudantes envolvidos de “marginais”.
“Eu nunca critiquei professor nenhum. Apenas repudiei uma professora e um professor que falaram que esses alunos eram marginais. E esses alunos não são marginais, são crianças, são bons alunos, tiram notas boas”, afirmou.
O comunicador reconheceu que os estudantes erraram ao invadir a escola e defendeu que os pais arquem com os prejuízos causados. “Os pais vão ter que pagar, acho justo. Todos estão de castigo, as mães tomaram as devidas providências e as autoridades também”, disse.
Ele também contestou a gravidade atribuída ao caso por parte de algumas pessoas. “Estão tratando isso como se fosse um ato de terrorismo. Estamos falando de crianças, a maioria tem entre 8 e 11 anos”, declarou.
Sobre os danos na unidade, o radialista negou que tenha havido uma tentativa de incêndio. Segundo ele, os menores entraram por uma janela aberta, mexeram na cozinha e acionaram extintores. “Não teve essa questão de botar fogo na escola. Isso não ocorreu. O que aconteceu foi uma arte de criança”, afirmou.
Por fim, voltou a negar qualquer intimidação contra professores ou moradores. “Não fui acionado pelas autoridades por ameaça porque eu não ameacei ninguém”, declarou. Segundo ele, o repúdio ocorreu após relatos de que alunos teriam sido chamados de marginais e que professores teriam dito que o futuro deles seria “na cadeia”.

