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China defende reforma da ONU e diz que não permitirá que ‘punho mais forte’ dê as cartas

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O documento afirma que o mundo vive um momento de crises inéditas, marcado por tensões geopolíticas e desigualdades econômicas, e ressalta a importância de dar mais voz ao chamado “Sul Global” e de estabelecer normas para setores emergentes, como de inteligência artificial.

“Não é uma questão de se o escolhemos ou não, o multilateralismo é o único caminho viável a seguir”, diz o texto, publicado na manhã desta quarta-feira (17), no horário local, noite de terça-feira (16), em Brasília.

A nova publicação não cita os Estados Unidos nominalmente, mas é lançada em um contexto em que a China tem se colocado como pivô diplomático e buscado atrair aliados para conter as ações do presidente americano Donald Trump, que impôs tarifas unilaterais a diversas nações e foi protagonista de operações militares, como a invasão do Irã e a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

Pequim diz, por meio do documento, que a China “nunca permitirá” que quem tem o “punho maior” dê as cartas. Os EUA são hoje a maior potência econômica e militar do mundo.

É proposta que a ONU seja reformada como um todo com o objetivo de torná-la compatível e alinhada com o atual contexto geopolítico. Ao Conselho de Segurança, do qual o país asiático é membro permanente com direito a veto, é proposta uma reforma que amplie a representatividade de países em desenvolvimento.

Pequim propõe a reforma do fórum das Nações Unidas há pelo menos 20 anos. Um documento publicado em 2005 pela chancelaria já afirmava que aumentar a representação das nações em desenvolvimento deveria ser uma prioridade.

“Os países em desenvolvimento, que representam mais de dois terços dos membros da ONU, estão seriamente sub-representados no Conselho de Segurança. Essa situação precisa ser revertida”, diz o documento da época.

Em 2023, o país defendeu, ao lado de outros membros do Brics, “uma reforma abrangente da ONU, incluindo seu Conselho de Segurança, com vistas a torná-lo mais democrático, representativo, eficaz e eficiente, e a aumentar a representação dos países em desenvolvimento”.

O gesto na época foi um aceno ao desejo de Brasil, Índia e África do Sul de terem assento no fórum. O presidente Lula tem sido uma das vozes favoráveis à reforma, também pela baixa representatividade desses países.

Em abril, durante passagem por Barcelona, na Espanha, o presidente afirmou que os cinco membros permanentes (EUA, Reino Unido, China, Rússia e França) viraram os senhores da guerra.

Até agora, 160 países e organizações internacionais já demonstraram apoio à iniciativa de governança chinesa, segundo a chancelaria do país, com outras 60 como parte do grupo de amigos do projeto.

A iniciativa foi lançada em agosto de 2025, durante a cúpula da Organização para a Cooperação de Xangai, realizada em Tianjin, na China, quando Xi declarou que o objetivo principal é “promover a construção de um sistema mais justo e racional”.

O encontro foi marcado pela presença do presidente da Rússia, Vladimir Putin, e do primeiro-ministro Narendra Modi, que protagonizaram cenas de união ao lado do líder chinês.

Xi, à época, trouxe dados que foram reapresentados no novo documento, de que oito décadas após o fim da Segunda Guerra Mundial e o lançamento da ONU, o mundo enfrenta novas ameaças e desafios crescentes.

O texto volta a condenar o risco de retorno a chamada “lei da selva”, na qual o poder político e a força bruta ditariam as regras, em vez do direito internacional. O tom já foi usado em outras situações, como no mais recente encontro entre Xi e Putin em Pequim, em maio, quando os líderes recorreram à expressão ao afirmar que “os danos causados por ações unilaterais e pela hegemonia são sem precedentes”.

O país ainda reafirma o compromisso de “não ser o primeiro a usar” armas nucleares e defende que uma guerra nuclear não pode ser vencida e nunca deve ser travada.

Leia Também: Trump afirma que Hormuz não terá pedágio, e Irã fala em cobrança de taxas

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