O Vaticano anunciou nesta quinta-feira (2) a excomunhão de bispos, padres e membros formalmente vinculados à Sociedade São Pio X (SSPX), grupo católico ultraconservador que realizou a ordenação de novos bispos sem autorização do papa Leão XIV.
A decisão foi comunicada pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, órgão responsável por zelar pela doutrina da Igreja Católica. Segundo o Vaticano, a ordenação de bispos sem mandato pontifício configura um ato de cisma — rompimento da comunhão com a Igreja — e acarreta excomunhão.
O conflito teve início após a SSPX ordenar quatro novos bispos na cidade de Ecône, na Suíça, contrariando alertas feitos pelo Vaticano e pelo próprio papa. A Santa Sé afirmou que somente o pontífice pode autorizar a consagração de novos bispos, prática considerada essencial para preservar a sucessão apostólica e a unidade da Igreja.
Além da excomunhão dos bispos envolvidos, o decreto determina que sacerdotes e fiéis que aderirem formalmente ao grupo também ficam em situação de ruptura com a Igreja. O Vaticano informou ainda que sacramentos como confissões e casamentos celebrados por ministros da SSPX deixam de ser reconhecidos como válidos.
Fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, a Sociedade São Pio X se opõe a diversas reformas promovidas pelo Concílio Vaticano II, entre elas o uso das línguas locais nas missas e a ampliação do diálogo com outras religiões. Desde 1988, quando ocorreram ordenações episcopais sem autorização papal, a relação entre o grupo e Roma é marcada por sucessivas crises.
Apesar do endurecimento da medida, o Vaticano afirmou que permanece aberto à reconciliação, desde que os integrantes da SSPX reconheçam a autoridade do papa e aceitem os ensinamentos oficiais da Igreja Católica.
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