SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um dos acusados pela morte do ator Jeff Machado, Jeander Vinícius da Silva Braga foi condenado a 22 anos e 9 meses de prisão em julgamento realizado pelo Tribunal do Júri do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (8). Preso desde julho de 2023, ele foi considerado culpado por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. A defesa informou que recorrerá da decisão.
O julgamento ocorreu no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e contou com o depoimento de 12 testemunhas, além do interrogatório do próprio réu. Na sentença, os jurados reconheceram as qualificadoras de motivo fútil, asfixia e impossibilidade de defesa da vítima.
Em nota ao UOL, o advogado Fábio Manoel afirmou que “respeita a decisão dos jurados, mas entende que ela foi injusta”. Segundo ele, as provas apresentadas durante o júri “não foram suficientes para comprovar a participação de Jeander no crime de homicídio”.
Quem também acompanhou toda a sessão foi Maria das Dores, mãe de Jeff Machado, que viajou de Santa Catarina ao Rio de Janeiro para assistir ao julgamento. Emocionada após a condenação, ela afirmou que a decisão representa o desfecho que aguardava desde o desaparecimento do filho. Além de acompanhar o júri, ela também prestou depoimento.
Durante a investigação, Jeander apresentou versões diferentes sobre sua participação no caso. Em depoimento à Polícia Civil, ele chegou a confessar envolvimento no crime, mas atribuiu o assassinato a Bruno de Souza Rodrigues, apontado como o principal responsável pela morte de Jeff.
Segundo essa versão, Bruno teria dopado o ator antes de estrangulá-lo com um fio de telefone. Já no julgamento, Jeander negou ter participado do homicídio e afirmou que foi contratado apenas para cavar o buraco onde posteriormente o corpo seria escondido. Disse ainda que estava tomando banho no momento da morte e que foi coagido a ajudar a ocultar o cadáver.
Jeff Machado desapareceu em 27 de janeiro de 2023 e teve o corpo encontrado apenas em maio daquele ano, enterrado dentro de um baú de madeira concretado a cerca de dois metros de profundidade, em um terreno no bairro de Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro.
A identificação foi feita por meio das impressões digitais. O corpo estava em posição fetal, com as mãos amarradas e um fio de aço no pescoço, indícios que reforçaram a hipótese de estrangulamento. O baú utilizado para ocultar o cadáver pertencia ao próprio ator e havia sido retirado de sua residência.
O processo contra Bruno de Souza Rodrigues tramita separadamente. Também preso desde 2023, ele responde não apenas por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, mas também por estelionato, tentativa de estelionato, furto, invasão de dispositivo informático e falsa identidade. O julgamento dele está previsto para o dia 10 de dezembro.
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