sábado, setembro 12, 2026

China taxa carne de MS em 67%: entenda os impactos para o produtor e o preço do churrasco

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Nova tributação imposta pela China reduz competitividade da carne bovina brasileira, afeta frigoríficos de Mato Grosso do Sul e pode influenciar os preços pagos pelo consumidor nos próximos meses.

A nova tributação aplicada pela China sobre a carne bovina brasileira acendeu um alerta no setor pecuário de Mato Grosso do Sul. Com o esgotamento da cota anual de exportação de 1,106 milhão de toneladas, os embarques que ultrapassarem esse limite passam a pagar uma sobretaxa de 55%, que, somada à tarifa fixa de 12%, eleva a tributação total para 67%.

Como a China é o principal destino da carne bovina produzida em Mato Grosso do Sul, a medida tende a reduzir a competitividade do produto brasileiro no mercado chinês e provocar reflexos em toda a cadeia produtiva, desde os pecuaristas até os consumidores.

Mato Grosso do Sul pode sentir os maiores impactos

Segundo o pesquisador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), Thiago Bernardino de Carvalho, a pecuária de corte é uma atividade planejada com anos de antecedência, o que impede uma redução imediata da produção.

“O gado abatido hoje começou a ser produzido há três ou quatro anos. Esse investimento já foi feito e essa produção não pode simplesmente ser interrompida”, explica o pesquisador.

Com a redução das compras chinesas, frigoríficos podem redirecionar parte da produção para outros mercados internacionais e também aumentar a oferta no mercado interno. Empresas mais dependentes das exportações para a China poderão recorrer a férias coletivas ou diminuir o ritmo de abates enquanto buscam alternativas comerciais.

Novos mercados ajudam, mas não compensam

Os Estados Unidos aparecem como a principal alternativa para absorver parte da carne que deixará de seguir para a China. No entanto, o especialista afirma que dificilmente outro país conseguirá compensar o volume perdido.

A expectativa é que cerca de 500 mil toneladas deixem de ser exportadas acima da cota chinesa, um volume considerado muito elevado para ser absorvido rapidamente por outros compradores.

Carne pode ficar mais barata?

A possibilidade existe, mas o consumidor não deve esperar uma redução imediata ou significativa nos preços.

De acordo com Thiago Carvalho, normalmente há um intervalo de dois a três meses entre a queda no preço do boi e o reflexo nas gôndolas dos supermercados.

Além disso, fatores como o planejamento da produção e a estratégia dos frigoríficos — que podem congelar parte da carne para comercialização futura — tendem a amenizar os efeitos da maior oferta no mercado interno.

Assim, caso haja redução nos preços ao consumidor, ela deverá ocorrer de forma gradual e pode ser menos intensa do que muitos esperam.

Setor acompanha cenário

O setor produtivo acompanha com atenção a evolução das negociações internacionais e busca ampliar mercados para reduzir a dependência da China, principal compradora da carne bovina sul-mato-grossense.

Enquanto isso, produtores, frigoríficos e consumidores aguardam os próximos desdobramentos, que poderão influenciar tanto a rentabilidade da pecuária quanto o preço da carne no prato dos brasileiros.

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