A Santa Casa de Campo Grande anunciou a suspensão de cirurgias eletivas e cobra o repasse imediato de R$ 26,5 milhões da Prefeitura de Campo Grande e do Governo de Mato Grosso do Sul. Segundo o hospital, a falta de recursos compromete o funcionamento da unidade, provoca escassez de insumos e pode resultar até na demissão coletiva de médicos.
A manifestação foi apresentada à Justiça na noite de quarta-feira (30), na qual a instituição pede que o juiz Cláudio Müller Pareja determine, com urgência, o pagamento dos valores atrasados até esta sexta-feira (31).
Hospital cobra repasses atrasados
De acordo com a Santa Casa, o montante de R$ 26.564.109,41 corresponde à atualização monetária, pelo IPCA, dos repasses realizados entre dezembro de 2025 e julho de 2026.
Do total, cerca de R$ 15,3 milhões são de responsabilidade da Prefeitura de Campo Grande e aproximadamente R$ 11,1 milhões do Governo do Estado.
O hospital também solicita que a Justiça prorrogue por mais 30 dias o contrato atualmente em vigor, garantindo os repasses referentes ao mês de agosto enquanto as partes negociam um novo convênio.
Médicos ameaçam deixar o hospital
Segundo a direção da Santa Casa, diversas equipes médicas estudam pedir demissão coletiva devido aos atrasos financeiros, o que pode comprometer ainda mais o atendimento à população.
Entre as especialidades afetadas estão:
- Cardiologia intervencionista;
- Urologia;
- Ortopedia;
- Radiologia intervencionista;
- Ultrassonografia;
- Psiquiatria.
Além disso, as cirurgias eletivas nas áreas geral, pediátrica, cardíaca e vascular já foram suspensas.
O hospital informou que os atendimentos nas áreas de hematologia, oncologia e transplante renal continuarão normalmente, em razão da gravidade dos pacientes.
Prefeitura aponta descumprimento de metas
Enquanto o impasse continua, a Prefeitura afirma manter os pagamentos com base no convênio anterior, renovado sucessivamente por decisão judicial.
Segundo o município, a Santa Casa não estaria cumprindo metas previstas no contrato, como quantidade de exames e internações, motivo pelo qual defende a manutenção das condições atuais.
Santa Casa pede novo contrato
A instituição afirma que opera há cerca de 20 meses com contratos provisórios renovados pela Justiça e sustenta que a ausência de correção inflacionária provocou um déficit estimado em R$ 20 milhões.
Como solução definitiva, a Santa Casa pede um novo convênio, elevando o repasse mensal dos atuais R$ 32,7 milhões para R$ 45,9 milhões, valor que considera suficiente para manter o funcionamento do maior hospital de Mato Grosso do Sul.
A Justiça deverá analisar o pedido nos próximos dias. Até que haja uma decisão, permanece o impasse entre hospital, Prefeitura e Governo do Estado, enquanto pacientes podem ser afetados pela suspensão das cirurgias eletivas.

